GPA (PCAR3) cai após prejuízo bilionário e alerta sobre continuidade das operações

As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) operam em queda nesta sexta-feira (15), após a companhia divulgar um prejuízo bilionário no primeiro trimestre de 2026 e levantar dúvidas sobre a capacidade de continuidade operacional.

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Por volta das 12h30, as ações PCAR3 recuam 2,17%, a R$ 2,25.

O GPA reportou prejuízo líquido continuado de R$ 1,347 bilhão no 1T26, acima das perdas de R$ 93 milhões registradas no mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o resultado foi impactado principalmente por efeitos não recorrentes e sem impacto no caixa, que somaram R$ 1,014 bilhão no trimestre.

Entre os principais impactos extraordinários estão a baixa de crédito no exterior, de R$ 588 milhões, além de baixas de softwares, fundo de comércio, outros ativos e impairment de lojas. Desconsiderando esses efeitos, o prejuízo líquido continuado ajustado teria sido de R$ 333 milhões.

A receita líquida caiu 8,2% na comparação anual, para R$ 4,3 bilhões, refletindo a descontinuação do formato Aliados, mudanças no portfólio de lojas e a estratégia de priorização de canais mais rentáveis no e-commerce. Apesar disso, as vendas mesmas lojas (SSS) avançaram 0,6% no período.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado consolidado somou R$ 458 milhões no trimestre, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a margem Ebitda ajustada avançou 1,9 ponto percentual, para 10,5%.

Além disso, o capex ajustado caiu 54,8%, para R$ 87 milhões, diante da desaceleração da expansão de lojas e da redução de investimentos em tecnologia e logística.

GPA (PCAR3) levanta dúvidas sobre continuidade operacional

Além do prejuízo bilionário, o mercado repercutiu negativamente o alerta feito pelo GPA sobre a situação financeira da varejista. Em nota explicativa divulgada junto ao balanço, a varejista afirmou que existe “dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional” da companhia.

“Tais circunstâncias indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida
significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da Companhia”, diz a companhia nas notas explicativas das informações trimestrais.

Segundo o grupo, o déficit de capital circulante líquido, de R$ 3,9 bilhões, combinado ao atual cenário financeiro, representa uma incerteza sobre a capacidade de manter suas operações no longo prazo.

O GPA destacou, contudo, que as demonstrações financeiras foram elaboradas considerando a continuidade operacional da companhia, levando em conta a expectativa de realização dos ativos e liquidação dos passivos no curso normal dos negócios.

A empresa também relembrou que protocolou, em 5 de maio, um plano de recuperação extrajudicial aprovado pela maioria dos credores, mas que ainda depende de homologação judicial.

De acordo com a Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o plano tem potencial para melhorar significativamente o capital circulante líquido e endereçar tanto a liquidez de curto prazo quanto a sustentabilidade financeira no longo prazo.

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Giovanna Oliveira

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