MRV&CO (MRVE3) volta ao lucro no 4º tri, mas juros pesam e ano fecha no vermelho

A MRV&CO – conglomerado que reúne a MRV, Urba, Luggo e Resia – reportou lucro líquido consolidado de R$ 41,4 milhões no quarto trimestre de 2025. Isso representa uma reversão perante o prejuízo de R$ 249,8 milhões no mesmo período de 2024.

No critério ajustado (que exclui instrumentos financeiros sem efeito direto no caixa), o lucro líquido consolidado foi de R$ 116,5 milhões, o que também representa uma reversão na comparação com um ano antes, quando houve prejuízo de R$ 153,7 milhões.

A melhora está relacionada ao avanço do faturamento com as vendas de imóveis, combinado com manutenção de custos sob controle, levando à melhora da margem de lucro. Por outro lado, o balanço da MRV&Co continuou sofrendo com os encargos de juros da dívida.

A principal divisão de negócios, a MRV, focada no Minha Casa Minha Vida, teve lucro de R$ 168,9 milhões no quarto trimestre, reversão ante prejuízo de R$ 17,8 milhões na comparação anual. A margem bruta da MRV foi de 31%, expansão de 4 pontos porcentuais.

A Resia, que atua na construção e locação de residências nos EUA, gerou prejuízo de R$ 110 milhões no trimestre. A perda, entretanto, foi 53% menor na comparação anual. A Resia está vendendo terrenos e empreendimentos para controlar a dívida lá fora.

Nas demais empresas do grupo, a Luggo teve prejuízo de R$ 18,2 milhões, enquanto a Urba contribuiu com lucro de R$ 772 mil. O Ebit (lucro operacional, antes dos juros e impostos) consolidado atingiu R$ 391,8 milhões no quarto trimestre, um salto perante os R$ 22,5 milhões do mesmo período do ano anterior.

A receita líquida consolidada totalizou R$ 3,0 bilhões, aumento de 27,8%, em virtude do aumento das vendas de imóveis e da evolução das obras. As despesas operacionais consolidadas alcançaram R$ 505,3 milhões, recuo de 17%.

O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas financeiras) gerou uma despesa líquida de R$ 275,2 milhões, expansão de 57,4% na comparação anual, refletindo os juros altos da economia brasileira e a dívida relevante do grupo.

Nas operações do Brasil (MRV, Luggo e Urba), a MRV&CO fechou o quarto trimestre com dívida líquida de R$ 2,5 bilhões, subida de 2% na comparação com o terceiro trimestre. A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) foi a 41,8%, leve recuo de 0,1 ponto porcentual ante o terceiro trimestre.

Na operação dos Estados Unidos (Resia), a dívida líquida atingiu US$ 695 milhões, baixa de 0,6% em relação ao trimestre anterior.

Resultado anual

A MRV&CO teve prejuízo líquido consolidado de R$ 1,042 bilhão em 2025, perda 107% maior que em 2024. No critério ajustado, o prejuízo foi menor, de R$ 867,8 milhões em 2025, mas ainda assim uma piora relevante contra 2024, quando o prejuízo foi de R$ 128,2 milhões.

Já a receita líquida consolidada totalizou R$ 10,9 bilhões em 2025, expansão de 21% ante 2024, refletindo a melhora na venda de imóveis e margens das operações.

O grande vilão do ano foi o resultado financeiro, que gerou uma despesa líquida de R$ 1 bilhão.

Com Estadão Conteúdo

Redação Suno Notícias

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