PIB desacelera em 2025, mas agro “salva” o resultado; veja o que travou consumo e investimento

A economia brasileira cresceu em 2025, mas terminou o ano mostrando sinais claros de perda de fôlego. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,3% no ano passado, abaixo do ritmo de 3,4% registrado em 2024, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE. No recorte mais recente, o PIB subiu 0,1% no quarto trimestre de 2025 na comparação com o trimestre anterior, repetindo o mesmo avanço observado no terceiro trimestre.

Na comparação com o quarto trimestre de 2024, a economia cresceu 1,8%. Em valores correntes, o PIB de 2025 somou R$ 12,7 trilhões, enquanto o PIB per capita chegou a R$ 59.687, com alta real de 1,9%. A taxa de investimento ficou em 16,8% (abaixo de 17% em 2024) e a taxa de poupança, em 14,4%.

Em leitura da Suno Research, Rafael Perez resumiu o ponto central do número: “o PIB do Brasil cresceu 0,1% no 4T25 em relação ao trimestre anterior, na série com ajuste sazonal, resultado em linha com o consenso de mercado. Com isso, a economia brasileira encerrou 2025 com um crescimento de 2,3%”.

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Agro e serviços puxam a economia, mas indústria oscila

Pelo lado da oferta, a agropecuária foi o grande destaque: alta de 11,7% em 2025. No quarto trimestre, o setor avançou 0,5% na margem e disparou 12,1% na comparação com o mesmo período de 2024, com impulso de culturas como milho e soja. Já o setor de serviços cresceu 1,8% em 2025 e subiu 0,8% no quarto trimestre ante o terceiro trimestre, com altas relevantes em segmentos como informação e comunicação.

A indústria avançou 1,4% em 2025, mas caiu 0,7% no quarto trimestre na comparação trimestral. O contraste interno do setor também chamou atenção, com desempenho mais forte nas indústrias extrativas e maior fraqueza em áreas ligadas ao ciclo doméstico.

Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, reforçou essa fotografia ao comentar que, mesmo com o PIB um pouco acima do esperado, “a composição do PIB está muito parecida com o que a gente esperava. Isto é, o PIB ainda continua sendo boa parte influenciado pelos itens não cíclicos, enquanto os itens cíclicos continuam mostrando desaceleração”.

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Consumo perde tração e juros “aparecem” na atividade

Do lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025, mas em ritmo bem menor do que em 2024 (5,1%). No quarto trimestre, o consumo ficou estável. Para Rafael Perez, isso já sinaliza a pressão das condições financeiras: “o consumo ficou estável (0,0%) no 4T25, sinalizando perda de fôlego diante condições de crédito mais apertadas e do elevado endividamento das famílias”.

A Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) recuou 3,5% no quarto trimestre, apesar de ter subido 2,9% no ano. Perez ponderou que esse número anual teve um efeito específico: “apesar da alta de 2,9% em 2025, os números foram inflados pela importação de duas plataformas de petróleo, sem necessariamente refletir uma melhora disseminada dos investimentos”.

Ricciardi vai na mesma direção ao afirmar que “a política monetária tem sentido efeito nos itens em que ela tem maior sensibilidade”, citando a indústria, o investimento e o consumo como canais principais.

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Exportações ajudam no fim do ano e 2026 entra no radar

No setor externo, as exportações cresceram 14,2% no quarto trimestre, enquanto as importações recuaram 0,3%, contribuindo para o resultado do fim do ano. Ricciardi destacou que o desempenho também foi “influenciado pelas exportações, principalmente de milho e soja”, além do efeito das safras recordes.

Para 2026, os dois economistas apontam uma possível mudança de “protagonistas” no PIB. Ricciardi avalia que a base forte do agro tende a reduzir o impulso estatístico, enquanto medidas do governo podem mexer com a demanda. Perez, por sua vez, diz que “ao longo de 2026, esperamos uma reaceleração gradual”, citando fatores como mercado de trabalho aquecido e medidas que podem favorecer a renda e o crédito.

Histórico recente do PIB, segundo o IBGE:
2025: +2,3%
2024: +3,4%
2023: +3,2%
2022: +3,0%
2021: +4,8%
2020: -3,3%

Maíra Telles

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