Nem Trump segurou: Ibovespa sobe mais de 1% e ignora ameaça de tarifaço dos EUA

O Ibovespa mostrou resiliência nesta terça-feira (data da sessão) e fechou em alta de 1,16%, aos 174.197,10 pontos, ignorando o ruído provocado pela ameaça de uma nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em um dia de maior apetite por risco nos mercados globais, o principal índice da B3 acompanhou o desempenho positivo de Wall Street e recuperou parte das perdas acumuladas nas cinco sessões anteriores.

O índice oscilou entre a mínima de 172.198,54 pontos e a máxima de 174.894,05 pontos. O volume financeiro somou R$ 22,7 bilhões. Na semana, o avanço foi de 0,24%, enquanto o ganho acumulado no ano passou para 8,11%.

Tarifaço fica no radar, mas mercado reage

O pregão foi marcado pela repercussão da recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros a partir do próximo mês.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa conduzam as negociações com a Casa Branca em nível técnico. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a medida como “injusta”, destacando que o relatório cita inclusive o Pix entre os fatores que justificariam a sobretaxa.

Apesar do ambiente político mais tenso, os investidores optaram por acompanhar o movimento positivo observado no exterior, onde o mercado voltou a apostar em uma possível solução para o conflito no Oriente Médio.

Para Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos, o risco tarifário ainda depende de definições importantes.

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“A possibilidade de o Brasil ser tarifado em 25% pela administração Trump opera menos como um choque uniforme de comércio e mais como um choque de incerteza com assimetria setorial, cuja intensidade final dependerá do escopo, das exceções e da possibilidade de negociação política”, afirmou.

Cotação do dólar hoje

  • Dólar comercial: R$ 5,00
  • Variação: queda frente ao real
  • Juros futuros (DI): recuaram ao longo da sessão

Além da recuperação da bolsa, o mercado doméstico foi beneficiado pela queda do dólar e pelo alívio observado na curva de juros, acompanhando o movimento global de maior busca por ativos de risco.

Maiores altas e baixas

As siderúrgicas lideraram os ganhos do pregão, beneficiadas pelo apetite por commodities e pela recuperação técnica após semanas de forte correção.

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Maiores altas do Ibovespa

  • CSN (CSNA3): +8,85%
  • Usiminas (USIM5): +8,57%
  • Gerdau (GGBR4): +6,53%

Entre as blue chips, Vale (VALE3) avançou 4,04%, enquanto Bradesco registrou ganhos de até 1,54%.

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Maiores baixas do Ibovespa

  • Marcopolo (POMO4): -2,78%
  • Magazine Luiza (MGLU3): -2,41%
  • WEG (WEGE3): -2,33%

Na contramão do petróleo, Petrobras encerrou o dia em queda de 0,62% nas ações ordinárias e de 0,53% nas preferenciais.

Nos Estados Unidos, os índices voltaram a renovar máximas históricas, reforçando o clima positivo para os ativos de risco. Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, a recuperação foi puxada principalmente pelos bancos e pelo setor de commodities, enquanto o mercado segue acreditando em uma solução para o conflito no Oriente Médio. Com isso, o Ibovespa conseguiu deixar em segundo plano o risco de novas tarifas americanas e encerrar a sessão em forte alta.

Maíra Telles

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