Petróleo dispara com guerra e Ibovespa resiste apoiado em Petrobras (PETR4)
O Ibovespa enfrentou um teste geopolítico nesta segunda-feira (2). Em meio à escalada militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o índice até balançou ao longo do dia, mas conseguiu fechar em alta de 0,28%, aos 189.307,02 pontos, sustentado principalmente pela disparada das ações da Petrobras (PETR3; PETR4).
O conflito elevou fortemente o preço do petróleo, com o Brent subindo 6,68% e o WTI avançando 6,28% no fechamento em Londres e Nova York. Na B3, Petrobras (PETR3) disparou 4,63% e PETR4 avançou 4,58%, servindo de âncora para o Ibovespa em um ambiente de forte aversão ao risco global.
O índice chegou a oscilar entre 186.637 e 190.110 pontos, refletindo a tensão externa, mas ganhou tração à tarde com a melhora parcial de Nova York. No ano, o Ibovespa ainda acumula alta de 17,49%.
João Duarte, sócio da ONE Investimentos, afirmou que o movimento segue o “manual clássico de choque geopolítico”. Segundo ele, o risco de interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz elevou expectativas inflacionárias globais e reacendeu temores sobre juros nas economias centrais.
Já Bruno Perri, da Forum Investimentos, ponderou que, no médio prazo, os riscos fiscais para os EUA podem reforçar uma tese estrutural de enfraquecimento do dólar — fator que vem favorecendo mercados emergentes como o Brasil.
Cotação do dólar hoje
O dólar à vista fechou em alta de 0,62%, a R$ 5,1659, refletindo busca global por proteção.
Nos Estados Unidos, os índices encerraram o dia com comportamento misto:
• Dow Jones: -0,15%
• S&P 500: +0,04%
• Nasdaq: +0,36%
Apesar da tensão geopolítica, o mercado americano mostrou resiliência parcial, mas permaneceu volátil ao longo da sessão.
Maiores altas e baixas
Além de Petrobras, o setor de energia foi destaque positivo no Ibovespa, com Prio (PRIO3) subindo 5,12%, PetroReconcavo (RECV3) avançando 3,33% e Raízen (RAIZ4) ganhando 3,17%.
No lado negativo, Braskem (BRKM5) caiu 3,55%, Multiplan (MULT3) recuou 3,10%, Marcopolo (POMO4) perdeu 2,91% e Usiminas (USIM5) cedeu 2,40%. Vale (VALE3) fechou em baixa de 0,35%, enquanto Itaú (ITUB4) caiu 1,80%.
- Maiores Altas
- Maiores Baixas
Pedro Cutolo, da ONE Wealth Management, destacou que períodos de guerra costumam gerar inflação mais alta, crescimento mais fraco e forte imprevisibilidade — um desafio adicional para bancos centrais que já enfrentam dilemas entre atividade e controle de preços.
O ponto central agora é a duração do conflito. Se a escalada militar se prolongar, o petróleo pode permanecer pressionado, com efeitos persistentes sobre inflação global e fluxo para ativos emergentes.
Mesmo diante do sacolejo externo, o Ibovespa mostrou capacidade de absorção do choque, apoiado no peso do setor de energia na composição do índice — uma vantagem tática em um cenário de petróleo em alta.
Com Estadão Conteúdo