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Moeda bitcoin: entenda como ela foi criada e como funciona

moeda bitcoin

Muito comentada pela mídia em geral, a moeda bitcoin é uma moeda que foi criada virtualmente com alguns propósitos bem específicos, um deles é a descentralização de seu poder e o outro é a impossibilidade de haver uma multiplicação exponencial da sua oferta monetária, assim como acontece com a moeda fiduciária em todos os países.

Muitos atestam que a vantagem de não ser controlado por um banco central, garante à moeda bitcoin o mantimento do seu poder de compra.

O que é a moeda bitcoin?

A moeda bitcoin é classificada como uma critpomoeda, e é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores de pessoas que emprestam a sua capacidade de processamento para criar novos bitcoins e registrar todas as transações realizadas pelo mercado.

Surgimento da moeda Bitcoin

O bitcoin foi criado por um personagem que possui o pseudônimo de Satoshi Nakamoto.

Inicialmente ele representava um indivíduo ou um grupo de pessoas que criaram o protocolo original da moeda no ano de 2008.

Indícios mostram que o envolvimento dessa entidade parece ter tido fim em meados de 2010, antes disso, Nakamoto mantinha-se ativo postando informações técnicas e garantindo o bom funcionamento da criptomoeda nos seus estágios iniciais.

Sendo responsável pela criação de boa parte do protocolo e aceitando raras contribuições externas, Nakamoto em abril de 2011 informou a um colaborador do bitcoin que teria “partido para novos coisas”.

Até hoje não se sabem que é Satoshi, nem o que ele faz, embora haja especulação acerca do tema.

Processo de mineração

O processo de nascimento de uma moeda bitcoin vem a partir do que é chamado de “mineração”, como foi dito no início, são apenas computadores conectados à rede competindo entre si na resolução de problemas matemáticos.

Quem ganha esse jogo recebe um bloco da moeda.

Existe um limite para a mineração de bitcoin, que foi estipulado em até 21 milhões de unidade que devem ser mineradas até o ano de 2140. Dessa forma, o nível de dificuldade é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro desses limites.

Inicialmente, quando a moeda foi criada, para minerar bitcoin era muito mais simples, bastando deixar o computador ligado por dias de forma a deixá-lo trabalhar nos problemas matemáticos que eram muito menos complexos.

Com o aumento exponencial do número de interessados, o trabalho de minerar bitcoins está ficando limitado cada vez mais limitado a supercomputadores que despendem de uma elevada carga de energia.

A concorrência ficou tão elevada que surgiram até novos computadores com hardwares dedicados exclusivamente à tarefa como o Avalon ASIC.

Utilidade prática da moeda bitcoin

Depois que um indivíduo compra um bitcoin, ele receberá um código com letras e números, denominados de “endereço”.

Quando essa pessoa quiser comprar qualquer produto ela fornecerá esse tal endereço ao vendedor. Nessa transação, tanto o comprador quanto o vendedor têm suas identidades mantidas no anonimato, porém a transação é mantida pública.

Na teoria, seria possível contratar serviços e comprar produtos com essa moeda no mundo todo, porém o numero de empresas que aceitam bitcoin ainda é bastante reduzido.

Alguns países como Rússia e Japão, é mais comum observarmos mais transações em moeda bitcoin de modo que algumas centenas de milhares de estabelecimentos aceitam transações com a mesma.

Por outro lado, a China, como muitos outros países tentam e todas as formas fechar o cerco contra a criptomoeda, ordenando o fechamento de várias plataformas de câmbio, além de tentando punir aqueles que negociam com a moeda.

Bitcoin é uma moeda ou não?

Este é um tema bastante polêmico mais passível de ser analisado.

Para responder esta pergunta serão consideradas as 3 características da moeda de acordo com a literatura clássica da economia.

Antes é importante frisar que entusiastas da moeda bitcoin podem discordar que uma moeda deve necessariamente seguir estas 3 características.

Outros concordam com a definição clássica da moeda e argumentam que o bitcoin em algum momento irá cumprir os 3 requisitos.

Mas afinal, quais seriam estes requisitos?

De acordo com a literatura da economia uma moeda deve servir como:

Meio de troca

Este é provavelmente o pré-requisito mais fácil de ser atendido.

Para uma moeda ser considerada como meio de troca basta que um grande número de pessoas a reconheça como tal.

Se você sair de sua casa hoje com reais você tem a certeza de que poderá realizar compras em qualquer estabelecimento do país.

Assim como se você utilizar qualquer moeda aceita por qualquer respectivo país.

Com o bitcoin esta não é uma certeza. Pois ainda são poucos os estabelecimentos que aceitam o pagamento na moeda.

Embora o número de estabelecimentos que aceitam bitcoin tenha crescido de forma exponencial a moeda ainda está longe de ser aceita universalmente por todos.

Assim, atualmente, o bitcoin não preenche o pré-requisito de ser um meio de troca.

Os entusiastas da moeda afirmam, por outro lado, que é uma questão de tempo para o ativo passar a ser aceito universalmente.

Unidade de medida

Uma moeda deve servir também como uma unidade de medida.

Assim como outras unidades de medidas, tais como o metro e o quilograma.

Estas duas citadas acima servem para auferir o tamanho e o peso, respectivamente, já uma moeda deve servir para auferir o valor de algo.

Através do uso do metro você consegue afirmar se alguém é alto ou baixo. Através do quilograma você consegue afirmar se algo é leve ou pesado.  E através da moeda você consegue afirmar se algo está barato ou caro.

Logo, pode-se afirmar que o bitcoin é uma útil como uma unidade de medida?

A verdade é que, atualmente, isto não é possível. E isto não é possível devido à volatilidade da moeda.

Como o bitcoin está sempre mudando de valor drasticamente é muito difícil para alguém precisar com base no valor desta moeda se um produto ou serviço está caro ou barato.

Sendo necessária uma conversão para moedas mais estáveis para as pessoas terem a real noção do valor do serviço ou produto em questão.

Se é oferecido uma caneta bic por R$ 100 a alguém a pessoa saberá imediatamente que este produto está acima do seu valor usual.

Já se é oferecido o mesmo produto por 1 bitcoin muitas pessoas podem não ter a real noção do valor do produto. Em 26/08/2018 esta caneta teria o valor de aproximadamente R$ 25 mil. Sendo que poucos meses antes o valor seria de mais de R$ 50 mil.

Esta volatilidade a qual o valor do bitcoin é submetido impede que ele seja usado como unidade de valor. Sendo, então, necessária a conversão para moedas mais estáveis.

Novamente reforçando que os entusiastas da moeda acreditam ser uma questão de tempo até que a moeda se estabilize e assim possa funcionar adequadamente como uma unidade de medida.

Reserva de valor

A última função da moeda de acordo com a teoria clássica é que esta deve funcionar como reserva de valor.

Mas o que seria, explicitamente, uma reserva de valor?

Uma moeda funciona como uma reserva de valor quando pode ser guardada e ter o seu valor relativamente estável ao longo do tempo.

Por exemplo, alguém que manteve uma reserva em dólar nos EUA do início do ano de 2018 até o meio do ano teve o seu valor de compra praticamente mantido. Isto levando em conta que a inflação média do país é de apenas 2% ao ano.

Enquanto que o bitcoin, do início de 2018 até o meio do ano desvalorizou mais de 50%. Caindo de mais de $ 15 mil para abaixo de $ 7 mil. Claramente ninguém gostaria de ver a sua reserva de valor perder 50% do seu poder de compra.

Obviamente que os apreciadores do bitcoin podem argumentar que o processo de valorização recente da moeda seria um argumento a favor da sua utilização como reserva de valor.

No entanto, é difícil afirmar com precisão que este processo de valorização continuará ao longo dos anos.

Afinal, se existir uma reserva de valor que se valorize constantemente ninguém mais precisaria se preocupar em ganhar dinheiro.

O fato é que a volatilidade atual do valor do bitcoin o torna inedequado para funcionar como reserva de valor. Esta volatilidade pode ocorrer tanto para cima quanto para baixo, e esta incerteza do futuro do ativo pode prejudicar a sua consolidação como reserva de valor.

Caso um dia o mercado de bitcoin venha a se estabilizar se torna mais factível que a moeda virtual se torne uma reserva de valor.

A teoria da moeda está desatualizada?

Não há como negar que a teoria da moeda foi baseada em ativos conhecidos tais como o dólar, euro e até o Real.

Então, o que muitos críticos afirmam é que deve ser criada uma nova teoria que englobe os conceitos do mercado de bitcoin.

Segundo estes críticos o bitcoin seria algo tão revolucionário que criaria um novo paradigma no sistema financeiro global.

E tal paradigma não poderia ser explicado com bases em regras e teorias da economia tradicional.

Moedas oficias de países podem não ser consideradas moedas?

Outra crítica que se faz à teoria clássica da moeda é que mesmo algumas moedas oficias de países não cumprem os requisitos necessários para serem consideradas como tal.

Existem exemplos, passados e atuais, de casos em que as moedas não cumpriram os seus 3 papéis. Pode-se citar os seguintes exemplos destes casos:

  1. Hiperinflação brasileira
  2. Venezuela contemporânea

Hiperinflação brasileira

A inflação foi um desafio muito grande para a economia brasileira durante um longo período de tempo.

Para se ter uma noção, em 1993 o índice ficou em 2.477,15%.

A situação era caótica ao ponto de os preços mudarem várias vezes ao longo do dia.

Chegando a casos de as pessoas pegarem produtos em prateleiras do supermercado e os seus preços já terem se alterado aos clientes chegarem ao caixa.

Tal volatilidade no preço da moeda, assim como no caso da moeda bitcoin, invalidava o uso da moeda brasileira como unidade de medida, já que os preços estavam sempre se alterando.

A função de reserva de valor também foi comprometida visto que havia uma diminuição muito grande e acelerada do poder de compra da moeda.

As pessoas deveriam deixar os seus recursos sempre aplicados em ativos que retornassem ao menos a inflação vigente, caso contrário poderiam perder muito poder de compra.

A moeda brasileira só foi se estabilizar após o plano real, em 1994. A partir de então a inflação passou a ficar, na média, abaixo de 10% ao ano.

Atualmente é factível dizer que o real brasileiro cumpre os 3 requisitos para ser considerado uma moeda estável.

O único ponto que tem que ser levantado quanto a esta afirmação é o poder do real como reserva de valor externa. O real apresenta uma volatilidade alta quando comparada com moedas internacionais como o dólar e o euro.

De tal forma que o dólar oscilou na última década entre R$ 1,60 e R$ 4,00. Assim, embora o poder de compra interno esteja mantido com a inflação sobre relativo controle, este poder de compra pode ser reduzido em momentos de crise quando comparado a mercados internacionais.

Venezuela contemporânea

A Venezuela vive uma situação econômica caótica tal que a sua moeda deixou de incorporar as características que se espera deste ativo.

A situação lembra em algumas situações a hiperinflação brasileira, porém, o quadro do vizinho sul-americano é ainda mais dramático.

A inflação de 2018 é estimada pelo FMI em 1.000.000%. Isto compromete qualquer referência de preços no país, assim, a função da moeda unidade de medida está comprometida, bem como a função de reserva de valor.

A situação se tornou tão dramática ao ponto de o governo anunciar um corte de 5 zeros na moeda, em uma tentativa de contar a inflação. Isto ocorrerá em conjunto com a troca da moeda de bolívar forte para bolívar soberano.

Assim, o valor de meio de troca da moeda também começa a ser questionado.

Conclusão sobre a moeda bitcoin

Na opinião da Suno Research, arriscar dinheiro de modo especulativo apenas pelo fato de que todos estão entrando no mercado de bitcoin não é uma atitude prudente.

Os preços podem estar subindo apenas pela lei da oferta e demanda

A Suno Research acredita muito mais na compra de bons ativos pagadores de renda, dos quais podem oferecer muito mais garantias de bons rendimentos no longo prazo, com muito menos risco de perdas permanentes de capital.

Este é, inclusive, o caminho de sucesso trilhado por grandes investidores, tais como Luiz Barsi.

Barsi é hoje um dos maiores bilionários da bolsa e no vídeo abaixo ele explica como se faz para acumular patrimônio em ativos pagadores de renda.


Portanto, embora a moeda bitcoin apresente, sem dúvidas, alguns aspectos revolucionários, julga-se que o investimento em ações de dividendos é uma opção muito mais segura e que pode trazer melhores resultados para o investidor.

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