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As 10 vantagens de não ser um investidor profissional – Parte I

Joe Wiggins, grande estudioso de investimentos, portador do certificado CFA e autor do blog Behavioural Investment, recentemente publicou um texto sobre as vantagens que investidores amadores possuem sobre investidores profissionais.

Não entenda mal, investidor amador é qualquer indivíduo que não faz do investimento sua profissão. Se você é dentista, advogado, engenheiro, médico, professor, nutricionista ou profissional de qualquer área que não envolva gerir capital de terceiros e ainda sim, você investe seu próprio dinheiro, você é um investidor amador.

Nesta Parte I, apresentarei as 5 primeiras vantagens que Wiggins discutiu em seu texto.

Muitas pessoas acreditam que investidores profissionais, como os gestores fundos de investimento, têm grande vantagem sobre o investidor amador. A crença vem de que a expertise e as informações internas os tornam invulneráveis de quaisquer dificuldades enfrentadas pelos profissionais de outras áreas.

Entretanto, quando pensamos em questões como horizonte de tempo de investimento (curto prazo e longo prazo), incentivos com desalinhamento de interesses, obsessão por um benchmark e confiança excessiva, esses problemas frequentemente são exacerbados em um contexto de investimento profissional.

Deste modo, ao contrário do que muitos indivíduos pensam, investidores amadores possuem uma série de vantagens comportamentais em relação a investidores profissionais.

Não há necessidade de checar seu portfólio diariamente

Enquanto investidores profissionais possuem a cobrança diária de resultados, o investidor amador pode compreender profundamente seus investimentos e, quando o fizer, não haverá necessidade de acompanhamento diário, semanal ou mensal de seus ativos.

Trimestralmente ele acompanhará os resultados divulgados pela companhia e estará a par dos acontecimentos, comunicados e fatos relevantes anunciados aos acionistas.

Se você se preocupa com a cotação diária de seus ativos, muito provavelmente você não os conhece o suficiente.

Do outro lado, o investidor profissional deve acompanhar diariamente seu portfólio, pois ele é cobrado e incentivado por resultados de curtíssimo prazo, o que é péssimo para a rentabilidade de longo prazo.

Você pode tomar decisões consistentes com seu próprio horizonte de planejamento

Embora tomar decisões de longo prazo seja difícil para todos os tipos de investidores, para investidores profissionais, essa dificuldade é ainda maior. Isso se deve ao fato de os incentivos estarem atrelados a horizontes temporais e performance de curto prazo.

Pense em um fundo de investimento. Caso ele não ofereça rentabilidade atrativa no trimestre, boa parte de seus investidores resgatarão seu dinheiro para aplicar em um fundo “mais rentável”. Ao mesmo tempo, o fundo geralmente possui sua remuneração vinculada ao curto prazo (taxa de performance com meta anual).

Desse modo, o investidor profissional dificilmente pode tomar uma decisão rentável no longo prazo, pois isso afetaria seu resultado de curto prazo e, portanto, sua remuneração.

Mesmo que o investidor amador sofra com o imediatismo, ele pode evitá-lo, enquanto essa é uma tarefa muito mais difícil para um investidor profissional.

Seus incentivos estão perfeitamente alinhados

Para o investidor amador, seu incentivo é simples: atingir suas metas de retorno de longo prazo. Como apresentado anteriormente, para investidores profissionais os incentivos não se dão da mesma maneira.

Quando o investidor não traz retornos acima do benchmark (de curto prazo), ele está fadado aos saques e remuneração reduzida.

Mesmo que os investidores profissionais saibam que as decisões imediatistas não são as mais rentáveis no longo prazo, eles acabam optando por tais decisões com receio de performar aquém do esperado no mês, trimestre ou ano, o que provavelmente resultaria em benefícios reduzidos ou até demissões.

Você pode não fazer nada

Quando existe a oportunidade de adquirir empresas excelentes por preços modestos, o investidor deve aproveitar a oportunidade e, posteriormente, a melhor coisa a fazer é não fazer nada. O investidor amador pode comprar este ativo e aguardar décadas que provavelmente o ativo terá rentabilidade muito acima do mercado.

O investidor profissional não usufrui do mesmo benefício. Existe um grande problema com esse tipo de investidor em termos de excesso de atividade. Segundo Joe Wiggins, isso se deve basicamente a dois fatores.

Em primeiro lugar, eles estão constantemente expostos ao enorme fluxo de notícias que gera flutuações aleatórias no mercado que frequentemente os leva a agir. Em segundo lugar, é muito difícil justificar as taxas e mostrar conhecimento elevado aos seus clientes caso você aja pouco, deste modo, a tendência do investidor profissional é agir mais, mesmo que isso não seja a decisão mais interessante.

Não existe a necessidade de perseguir performance

A pressão existente para que o investidor profissional traga elevada rentabilidade no curto prazo é enorme e, caso ele não o faça, muito provavelmente ele está colocando sua carreira em risco.

Isso direciona a tomada de decisões para o curto prazo. Fundos de investimentos que investem em ações, muitas vezes medem sua rentabilidade em comparação ao Índice Bovespa. Caso o gestor não traga resultados melhores que os do índice no trimestre, no semestre ou no ano, muito provavelmente seus clientes estarão insatisfeitos.

Esse pensamento é muito problemático, pois o gestor está comprometendo a rentabilidade de longo prazo para entregar resultados imediatos que são insignificantes.

Segundo o grande investidor Joel Greenblatt, se você analisar os investidores por performance durante uma década, pegando os 25% que tiveram os melhores resultados, 98% deles estavam entre os 50% que pior performaram durante pelo menos 3 anos, 79% estavam entre os 25% que pior performaram no mesmo período e 47%, estavam entre os 10% que pior performaram por pelo menos 3 anos.

Isso significa que a performance de curto prazo não tem nenhuma relação com os resultados de longo prazo. Repare que quase metade dos 25% dos investidores que tiveram os melhores resultados na década estiveram por pelo menos três anos nos 10% que tiveram os piores retornos.

 

Em sequência a este texto, na Parte II apresentarei as cinco vantagens restantes que o investidor amador possui sobre o investidor profissional.

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