XSPI11: fundo busca acompanhar 1,5 vez a variação do S&P 500 e distribuir renda mensal

O XSPI11 é um fundo de índice negociado na B3 que oferece exposição ao S&P 500, índice formado por grandes empresas dos Estados Unidos. O diferencial do produto está na combinação entre uma exposição de até 1,5 vez ao índice e a distribuição mensal de proventos obtidos com operações de opções.

Na prática, o fundo busca acompanhar os movimentos do mercado acionário americano com uma sensibilidade maior do que a de um ETF tradicional, além de gerar pagamentos periódicos aos cotistas. Segundo relatório da Eleven Financial Research, o XSPI11 acumulava alta de 3,63% em agosto e de 8,87% no ano até 31 de agosto de 2026.

Como funciona a exposição ampliada ao S&P 500

Um ETF é um fundo que reúne diferentes ativos e tem suas cotas negociadas na bolsa como se fossem ações. No caso do XSPI11, a carteira está ligada ao S&P 500, que reúne companhias como Nvidia, Apple, Alphabet, Microsoft e Amazon.

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De acordo com o relatório da Eleven, o setor de tecnologia representa 36,6% da exposição do fundo. Entre as maiores posições estão Nvidia, com 7,6%, Apple, com 6,76%, Alphabet, com 5,45%, Microsoft, com 5,44%, e Amazon, com 3,81%.

A exposição de até 1,5 vez é construída por meio de opções e não significa que o investidor esteja tomando dinheiro emprestado. A estrutura busca fazer com que, para cada variação de 1% do S&P 500, o ETF tenha uma sensibilidade próxima de 1,5% na parcela relacionada ao índice.

Essa relação funciona nos dois sentidos. Em um movimento de alta, o ganho pode ser ampliado. Em uma queda, porém, a perda também tende a ser maior. O resultado final ainda depende da estrutura das opções e da variação do dólar, porque o XSPI11 não possui proteção cambial.

Isso significa que o desempenho do ETF não depende apenas da bolsa americana. Se o S&P 500 subir, mas o dólar cair diante do real, parte do ganho pode ser reduzida. Da mesma forma, uma alta da moeda americana pode aumentar o retorno em reais, mesmo quando o desempenho do índice é mais fraco.

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A Eleven destaca que o XSPI11 não deve ser tratado como substituto de uma posição simples no S&P 500. A alavancagem, o risco cambial e a concentração nas maiores empresas podem aumentar a volatilidade do investimento.

Renda mensal vem de operações com opções

Os pagamentos mensais do XSPI11 não são dividendos distribuídos diretamente pelas empresas do S&P 500. Eles são chamados de proventos sintéticos porque vêm, principalmente, dos prêmios recebidos pela venda de opções de compra, conhecidas como calls.

A gestora vende essas opções sobre parte da exposição ao índice e distribui os prêmios aos cotistas. Entre abril e agosto, os pagamentos informados pela Eleven foram de R$ 1,23, R$ 1,27, R$ 1,35, R$ 1,33 e R$ 1,35 por cota, respectivamente.

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Essa estratégia pode gerar renda recorrente, mas também tem uma consequência. Quando o mercado sobe muito, a venda das opções pode limitar parte da valorização do ETF, porque o fundo se compromete a vender o ativo por um preço previamente definido. Em períodos de queda, os prêmios recebidos oferecem apenas uma proteção parcial.

O fundo também utiliza estruturas com opções de venda e compra. Em cenários de baixa volatilidade ou de queda prolongada, parte dos prêmios pode ser direcionada para a compra de opções de compra fora do dinheiro, buscando recuperar exposição a uma eventual alta do mercado.

Além dos riscos da alavancagem e do câmbio, o relatório chama atenção para a concentração do S&P 500. As dez maiores empresas representam quase 40% do índice, enquanto o setor de tecnologia responde por mais de um terço da carteira.

Para o investidor, o XSPI11 reúne exposição internacional, possibilidade de ganhos ampliados e proventos mensais, mas exige atenção à alavancagem, às opções, ao câmbio e à concentração da carteira.

Maíra Telles

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