WEG (WEGE3): tarifa dos EUA vira nó, mas BTG vê ação subir 56%

A WEG (WEGE3) voltou ao radar dos investidores em meio a uma nova rodada de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos importados. Segundo relatório do BTG Pactual, o emaranhado de medidas comerciais ficou mais difícil de acompanhar e pode representar um vento contrário de curto prazo para a companhia, especialmente em motores elétricos exportados do Brasil para o mercado americano.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/04/1420x240-Planilha-vida-financeira-true.png

Apesar disso, o banco manteve recomendação de compra para WEGE3, com preço-alvo de R$ 65. Considerando o preço de R$ 42 usado no relatório, o potencial de valorização é de 54,8%. Com dividendos, o retorno total estimado chega a 56,2%.

WEG enfrenta nova camada de tarifas nos EUA

O BTG afirma que monitorar as tarifas de importação dos EUA sobre a WEG se tornou uma tarefa mais complexa porque novas medidas passaram a se sobrepor a cobranças já existentes. Na prática, uma tarifa pode ser somada a outra, elevando o custo final para determinados produtos.

A nova rodada analisada pelo banco envolve tarifas adicionais de até 12,5% sobre importações de 60 países, incluindo o Brasil. A justificativa da administração Trump, segundo o relatório, está ligada à acusação de que esses países não teriam combatido suficientemente o comércio de bens produzidos com trabalho forçado, alegação rejeitada por diversos parceiros comerciais.

Para simplificar, há três tipos de medidas no radar:

  • Seção 301: usada pelos EUA para retaliar práticas comerciais consideradas desleais;
  • Seção 232: ligada à segurança nacional, frequentemente aplicada a produtos estratégicos, como aço e equipamentos industriais;
  • Seção 122: medida mais ampla e temporária, usada em situações de desequilíbrio comercial.

No caso da WEG, o ponto mais sensível está nos motores elétricos de até 200 HP, um dos produtos relevantes exportados do Brasil para os EUA. O BTG destaca que a tarifa desses motores poderia subir de cerca de 10% para 25% e, com a nova camada adicional, chegar a 37,5%.

Motores e transformadores entram no centro da discussão

A WEG é vista pelo BTG como uma das companhias brasileiras mais expostas a esse tema. Os Estados Unidos respondem por quase 25% da receita consolidada da empresa. Depois da reorganização da estrutura industrial feita no último ano, o banco estima que a receita relacionada aos EUA venha de três origens: México, com 40%; Estados Unidos, com 33%; e Brasil, com 27%.

A leitura dos analistas é que os motores são a principal exportação da WEG do Brasil para os EUA, enquanto os transformadores representam a maior parte dos embarques vindos do México.

Até agora, as margens da companhia se mantiveram resilientes, segundo o BTG, apoiadas por reajustes de preços em patamar de “high-teens”, ou seja, na casa dos altos dois dígitos, feitos ao longo do último ano para compensar o aumento da carga tributária.

O crescimento, por outro lado, parece ter sido mais afetado. Para o banco, preços menos competitivos pesaram sobre a demanda, embora outros fatores também tenham influenciado, como a valorização do real e bases de comparação mais difíceis.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/03/Ebook-Acoes-Desktop.jpg

BTG mantém compra, mas vê risco no curto prazo

Mesmo com o aumento da complexidade tarifária, o BTG manteve a visão positiva para a ação. O banco projeta receita de R$ 42,1 bilhões para 2026, EBITDA de R$ 9,3 bilhões e lucro líquido de R$ 6,5 bilhões. Para 2028, as estimativas sobem para receita de R$ 54,9 bilhões, EBITDA de R$ 12,8 bilhões e lucro líquido de R$ 9,4 bilhões.

O relatório também mostra que a margem EBITDA deve ficar em 22,0% em 2026 e avançar para 23,3% em 2028, enquanto o ROIC deve sair de 44,2% para 48,5% no mesmo período.

Para o investidor, a discussão deixa de ser apenas sobre tarifa e passa a ser sobre capacidade de repasse de preços. Se a WEG conseguir manter margens sem perder demanda de forma relevante, a tese segue preservada. Se o aumento de tarifas reduzir competitividade nos EUA, o crescimento pode sofrer mais pressão.

Para a WEG, o BTG reconhece que o quadro ficou mais difícil no curto prazo, mas ainda não abandonou a tese positiva. Como resumem os analistas no relatório, em tradução livre: “No total, em relação à semana passada, o nível de tarifas de importação enfrentado pela WEG aumentou, o que acreditamos representar um vento contrário de curto prazo para a companhia.”

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/04/1420x240-Planilha-vida-financeira-true.png

Maíra Telles

Compartilhe sua opinião