WEG (WEGE3) entrega lucro bilionário, mas queda de receita acende alerta; entenda o que aconteceu
A WEG (WEGE3) começou 2026 com um resultado que mistura pressão e resiliência. A companhia reportou lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no 1T26, recuo de 5,7% na comparação anual, em um trimestre marcado por menor receita, impacto cambial e desaceleração no mercado interno, mas com margens ainda robustas.
Apesar da queda no lucro, a qualidade do resultado segue elevada. A margem líquida ficou em 15,4%, levemente acima do registrado um ano antes, enquanto o EBITDA atingiu R$ 2,1 bilhões, com margem de 22,2%, também superior na base anual.
“Continuamos com os principais indicadores de desempenho financeiro, como o retorno sobre o capital investido e as margens operacionais, em níveis elevados”, afirmou a companhia no relatório.
Receita da WEG (WEGE3) cai, mas exterior segura desempenho
O principal ponto de atenção do trimestre foi a receita.
A companhia registrou R$ 9,46 bilhões em receita operacional líquida, queda de 6,1% na comparação anual e de 7,6% frente ao trimestre anterior.
O movimento foi puxado pelo Brasil, onde a receita caiu 19,5% na base anual, refletindo principalmente a ausência de novos projetos relevantes no segmento de geração solar centralizada, além de um ambiente econômico menos favorável para investimentos industriais no curto prazo.
No exterior, por outro lado, o cenário foi mais positivo. A receita cresceu 4,5% em relação ao 1T25, com destaque para a continuidade da demanda em setores como óleo e gás, ventilação, refrigeração e infraestrutura elétrica.
Segundo a companhia, mesmo com o impacto cambial negativo, a atividade industrial permaneceu aquecida nos principais mercados internacionais.
“As operações no exterior contribuíram de forma importante para a receita, mesmo em um ambiente marcado por incertezas geopolíticas e volatilidade do comércio internacional”, destacou a WEG.
Margens seguem fortes mesmo com pressão de custos
Mesmo com a queda de receita, a WEG conseguiu preservar — e até melhorar — suas margens operacionais, o que reforça a qualidade do resultado.
A margem EBITDA avançou 0,6 ponto percentual na comparação anual, chegando a 22,2%, sustentada principalmente por um melhor mix de produtos, maior participação de negócios de maior valor agregado e ajustes na linha de despesas operacionais. Já a margem líquida ficou em 15,4%, levemente superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Por outro lado, a margem bruta recuou para 31,6%, queda de 1,3 ponto percentual em relação ao 1T25, refletindo um ambiente de custos mais pressionado. Entre os principais fatores estão a alta de matérias-primas, especialmente o cobre, o aumento de tarifas de importação nos Estados Unidos e a volatilidade cambial no curto prazo.
Além disso, a menor diluição de custos fixos, consequência direta da queda de receita no trimestre, também pesou sobre a rentabilidade operacional, sobretudo nas despesas com pessoal.
Ainda assim, a companhia destaca que os ganhos de eficiência e produtividade continuam sendo determinantes para sustentar a competitividade e mitigar parte dessas pressões ao longo do tempo.
Caixa, investimentos e retorno seguem como destaque
A geração de caixa seguiu sólida no período.
A companhia registrou fluxo de caixa operacional de R$ 1,26 bilhão até março, sustentado pela manutenção de margens elevadas e pela melhora no capital de giro.
Os investimentos também seguiram em ritmo relevante. Foram R$ 622,2 milhões em CAPEX no trimestre, com foco na expansão e modernização da capacidade produtiva no Brasil e no exterior.
O retorno sobre o capital investido (ROIC) ficou em 33,1%, praticamente estável na comparação anual e ainda em níveis elevados para o setor.
“Seguimos com nossa forte expansão industrial, com investimentos importantes em aumento da capacidade produtiva, fundamentais para a entrega de margens operacionais sólidas”, afirmou a WEG em comunicado.