Veto da UE põe JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3) contra o relógio

O veto da UE à carne brasileira ainda não foi resolvido, mas ganhou uma possível rota de saída. A publicação do Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), foi vista pela Genial como um avanço concreto para tentar preservar o acesso do Brasil ao mercado europeu. O problema é o prazo: a nova exigência do bloco começa em 3 de setembro e, até agora, ainda não há propriedades certificadas.

No relatório assinado por Luca Vello, a Genial afirma que a medida não muda estimativas, recomendações ou preços-alvo para os frigoríficos. A casa mantém recomendação de compra para JBS (JBSS32), com preço-alvo de R$ 95,50 para o BDR, e para MBRF (MBRF3), com preço-alvo de R$ 23. Para Minerva (BEEF3), a recomendação segue de manutenção, com preço-alvo de R$ 4,75.

Veto da UE: avanço no papel, risco no calendário

A nova certificação busca comprovar que os bovinos destinados à União Europeia não receberam antimicrobianos ao longo da vida. Na prática, o protocolo prevê certificadora credenciada, planos sanitário e nutricional, inspeção em fazenda e emissão do certificado em até sete dias.

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A Genial avalia que esse era um dos caminhos técnicos possíveis para reabilitar as exportações brasileiras ao bloco europeu. Ainda assim, o relatório faz uma ressalva importante: o protocolo ajuda na reconstrução do acesso, mas não deve impedir uma ruptura no curto prazo.

Segundo a casa, “é progresso concreto rumo ao nosso cenário favorável, mas com uma ressalva que reforça o curtíssimo prazo: com zero propriedades certificadas e prazo em cima, o protocolo não evita a ruptura de 3/Set”.

O problema não é todo o Brasil

O principal gargalo está na monensina, medicamento comum em dietas de confinamento. Por isso, a Genial afirma que a questão não atinge igualmente toda a carne brasileira, mas principalmente a produção bovina de confinamento.

Esse ponto favorece empresas com presença em outros países. A Minerva, por exemplo, tem operação relevante fora do Brasil e maior exposição a origens alternativas. A JBS também conta com footprint global. Já a MBRF exige atenção adicional porque o protocolo é restrito a bovinos e não cobre aves, deixando a operação de frango mais exposta.

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Segundo a Genial, o impacto agregado deve ser administrável, concentrado em mix e margem, já que envolve destinos premium, como a cota Hilton, e não necessariamente volume total.

China entra no mesmo jogo dos frigoríficos

Outro ponto de atenção é que o veto europeu coincide com a cota da China, que deve afetar embarques fora da cota entre agosto e setembro. Para a Genial, os dois eventos formam um “aperto de acesso do 2S26”.

Com dois destinos relevantes mais restritos ao mesmo tempo, mais carne de origem brasileira pode ser redirecionada para o mercado doméstico e para outros compradores, como os Estados Unidos. Esse movimento pode reforçar a tese de boi mais barato no segundo semestre, com conversas de mercado indicando queda da arroba de cerca de R$ 350 para algo entre R$ 310 e R$ 315.

A Genial mantém como cenário-base um acordo parcial ou adiamento, com recertificação ao longo do segundo semestre e impacto líquido modesto no EBITDA setorial. No caso de JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), o veto da UE à carne brasileira segue dependente de um fator decisivo, resumido pelo relatório em uma frase: “A ponte agora tem nome: velocidade de certificação”.

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Maíra Telles

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