Bank of America corta Suzano (SUZB3) e vê fim do ciclo da celulose; entenda

Suzano (SUZB3) entrou no radar negativo do mercado após o Bank of America (BofA) rebaixar sua recomendação para “neutro” e reduzir de forma significativa o preço-alvo das ações, em um movimento que acende um alerta relevante sobre o futuro da companhia. A leitura do banco é direta: o ciclo positivo da celulose pode estar perto do fim.

A reação foi imediata no pregão do dia 7 de abril, quando o relatório foi divulgado. Os papéis da companhia caíram mais de 6%, em meio a um volume elevado de negociações e a um leilão de 22 milhões de ações coordenado pelo BTG Pactual, levando o valor de mercado da empresa para cerca de R$ 58,6 bilhões.

Suzano entra em novo ciclo com pressão nos preços

O rebaixamento marca a primeira mudança de recomendação entre as grandes casas que cobrem a companhia. Até então, a Suzano era amplamente recomendada como compra por analistas.

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Segundo o BofA, o mercado global de celulose entrou em uma fase estruturalmente mais desafiadora, com aumento relevante da oferta e sinais de enfraquecimento da demanda.

O analista Caio Ribeiro destacou que a decisão reflete a exposição da empresa “à volatilidade dos preços da celulose em um momento em que nos tornamos estruturalmente mais cautelosos em relação às perspectivas da commodity no curto e no longo prazo”.

Excesso de oferta muda dinâmica do setor

Um dos principais fatores por trás da revisão é o avanço da capacidade produtiva global. O banco destaca que a China passou por uma transformação estrutural, deixando de ser apenas um polo de demanda para se tornar também um player relevante do lado da oferta.

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Segundo o relatório, a produção chinesa praticamente dobrou nos últimos anos, saltando de cerca de 12,6 milhões para aproximadamente 26 milhões de toneladas anuais.

Além disso, a América Latina, com destaque para o Brasil, deve adicionar cerca de 13 milhões de toneladas de nova capacidade nos próximos anos, o que pode aprofundar o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Na avaliação do analista, “o atual ciclo de alta da celulose está se aproximando do fim”, diante de estoques elevados, preços mais fracos e retomada de capacidade global.

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SUZB3 tem projeções revisadas e valuation segue no radar

Com esse cenário, o BofA reduziu suas estimativas para a companhia. A projeção de lucro líquido foi ajustada para R$ 5,9 bilhões em 2026 e R$ 5,8 bilhões em 2027, abaixo das estimativas anteriores.

O EBITDA também foi revisado para R$ 21,3 bilhões neste ano e R$ 23,8 bilhões no próximo, refletindo um ambiente mais pressionado para a commodity.

Além disso, o banco reduziu o preço de longo prazo da celulose de US$ 600 para US$ 550 por tonelada, com possibilidade de níveis ainda mais baixos em cenários adversos.

Apesar da revisão negativa, o relatório aponta que a Suzano (SUZB3) ainda apresenta fundamentos sólidos. Como destacou o analista, “a empresa continua num valuation saudável, negociando a cerca de 6,4x EV/EBITDA, além de oferecer um free cash flow yield para o acionista de aproximadamente 5,4% em 2026”.

Redação Suno Notícias

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