SNEL11 capta R$ 620 mi e vira referência em FII de energia
A B3 sediou a cerimônia de toque de campainha que celebrou o fechamento da quarta emissão pública do SNEL11, fundo imobiliário focado em ativos de energia limpa. Em um ambiente desafiador para o mercado acionário, o FII captou mais de R$ 620 milhões, consolidando sua presença entre os principais veículos listados da bolsa paulista.
O evento contou com dirigentes da gestora, convidados e representantes do setor financeiro. Com a nova captação, o valor de mercado do SNEL11 alcançou cerca de R$ 950 milhões, reforçando a posição do fundo como o maior FII da B3 dedicado exclusivamente ao segmento energético.
Durante 2025, o mercado primário apresentou baixa atividade, afetado por juros elevados e maior cautela dos investidores. Mesmo assim, a oferta do fundo avançou, refletindo demanda consistente por exposição a energia e infraestrutura. Esse movimento evidencia a resiliência do produto em um ciclo adverso.
Desde a listagem, o FII expandiu rapidamente sua base de cotistas, saindo de aproximadamente 3 mil para cerca de 65 mil investidores. Esse crescimento acompanhou a ampliação do portfólio e o ganho de escala operacional, favorecendo a diluição de riscos e a previsibilidade dos fluxos de caixa. A gestora destaca que a governança e a disciplina de alocação foram essenciais nessa trajetória.
SNEL11 e a consolidação de uma nova classe de FII
Para a gestão, o avanço do fundo traduz a consolidação de uma categoria inédita no universo dos FIIs: um veículo estruturado de energia. Segundo a Suno Asset, o produto oferece alternativa real de diversificação, ao lado de galpões, lajes e crédito. A escala próxima de R$ 1 bilhão permitiu acessar ativos maiores, negociar com players relevantes e aprofundar a atuação em geração distribuída.
O modelo de aquisição tem atraído antigos donos de usinas, que vendem os ativos e permanecem expostos via cotas. Esse arranjo converte a concentração em um único ativo em participação num portfólio diversificado, com ganhos de escala, eficiência tributária e dispersão geográfica. Entre as palavras-chave do momento, destacam-se a busca por “renda mensal” e “gestão ativa”, que reforçam o apelo do produto para diferentes perfis de investidor.
Captação robusta e tese ancorada em inflação
A captação de R$ 620 milhões em um ano hostil para ofertas foi um marco, sinalizando confiança do mercado. A expectativa de queda de juros tende a aumentar a atratividade de contratos indexados, com taxa média em torno de 14% mais inflação. Em ciclos de juros mais baixos, o prêmio real se destaca frente a alternativas de renda fixa e crédito privado, agregando previsibilidade aos rendimentos.
Na visão da gestora, o movimento inaugura uma nova fase para a energia sustentável no mercado de capitais. Mais de 65 mil investidores já recebem rendimentos mensais oriundos do setor, e a plataforma deve seguir na consolidação de ativos da economia real. A perspectiva é de continuidade do pipeline de aquisições, com participação crescente de investidores institucionais e do varejo no SNEL11.