Renda fixa: quem rendeu mais que o CDI em julho? Analistas fazem as contas
A renda fixa atravessou julho com retornos positivos em praticamente todas as classes, mas a diferença entre os melhores e os piores desempenhos foi relevante. Levantamento da Rico mostra que o destaque ficou com o crédito privado pós-fixado, enquanto títulos mais longos atrelados à inflação sentiram o peso das incertezas fiscais e do ambiente externo.
No período, o CDI rendeu 1,16%, com a Selic ainda em 14,25% ao ano durante todo o mês. Ainda assim, o IDA-DI, índice que acompanha debêntures pós-fixadas, conseguiu superar essa referência e avançou 1,39%, equivalente a 119% do CDI.
A diferença veio da combinação de dois fatores: o carrego elevado proporcionado pelos juros altos e a redução dos prêmios de crédito, movimento que valorizou os papéis no mercado secundário.
Crédito privado lidera, enquanto prazo pesa nos títulos de inflação
Além de liderar julho, o IDA-DI também aparece na frente no acumulado de 12 meses, com valorização de 14,99%, ligeiramente acima dos 14,78% do CDI.
Na outra ponta entre os investimentos conservadores, a poupança entregou 0,67% no mês e 8,35% em 12 meses. Segundo Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, mesmo considerando a isenção de Imposto de Renda da caderneta, aplicações pós-fixadas que acompanham mais de perto o CDI seguem entregando retorno superior.
Nos títulos ligados à inflação, julho mostrou como o prazo pode mudar completamente o desempenho. O IMA-B 5, formado por NTN-Bs com vencimentos de até cinco anos, avançou 1,13%. Já o IMA-B 5+, que reúne papéis mais longos, rendeu apenas 0,12%.
A diferença ocorreu porque as taxas reais dos vencimentos mais curtos recuaram, gerando ganhos de marcação a mercado. Nos vencimentos longos, as taxas permaneceram elevadas, limitando a valorização dos títulos.
O levantamento também reforça que títulos indexados ao IPCA podem oscilar antes do vencimento. Quanto maior o prazo, maior tende a ser a sensibilidade do preço às mudanças nas taxas de juros.
Prefixados avançam, mas juros longos continuam pressionados
O IRF-M, índice que acompanha os títulos prefixados do Tesouro, subiu 0,74% em julho e acumula 12,37% em 12 meses. O resultado também refletiu uma melhora concentrada nos vencimentos mais curtos.
Em julho, o DI para janeiro de 2027 recuou 19 pontos-base, para 13,81%, acompanhando a expectativa de continuidade do ciclo de cortes de juros. Já o contrato para janeiro de 2031 avançou 18 pontos-base, para 14,39%, ainda pressionado pelo cenário fiscal e pelas incertezas externas.
Entre os indicadores acompanhados pela Rico, o único resultado negativo veio do IHFA, índice utilizado como referência para fundos multimercados, com queda de 0,30% em julho. Em 12 meses, porém, o indicador ainda acumula alta de 10,44%.
Para os próximos meses, a atenção se volta à reunião do Copom marcada para 15 e 16 de setembro, à evolução da inflação e ao comportamento dos juros de longo prazo. Esses fatores devem continuar influenciando quanto da rentabilidade da renda fixa virá apenas do carrego e quanto poderá ser acrescentado, ou retirado, pela marcação a mercado. Como resume Maria Giulia Figueiredo, da Rico, “o destaque positivo de julho foi o IDA-DI, que somou o carrego do CDI ao fechamento dos prêmios de crédito”.