Habib’s em recuperação judicial: entenda os motivos e o que muda

A Justiça de São Paulo aceitou o pedido de recuperação judicial do Grupo Gennius, dono da marca Habib’s. No documento protocolado, a companhia lista dívidas de R$ 265,2 milhões e reúne no processo 178 empresas e dois produtores rurais ligados à sua estrutura.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2026/08/Banner-LM-Home-01-Dkp_-1420x240-_-V1-6-png.webp

Controlador também da Ragazzo e da Tendall Grill, o grupo soma centenas de pontos de venda pelo país. Criado em 1987, o Habib’s construiu sua identidade em torno das esfihas e de outros pratos da culinária árabe, hoje presente em 119 endereços. A Ragazzo, focada em massas, salgados e lanches, opera 26 lojas, enquanto a Tendall reúne seis churrascarias sob a mesma estrutura empresarial.

Por que o Habib’s pediu recuperação judicial?

Antes de recorrer à recuperação judicial, o grupo já havia buscado uma saída negociada. Em 25 de junho, obteve na Justiça uma proteção temporária contra cobranças, válida por 60 dias, período em que tentou fechar um acordo com credores por meio de mediação.

O esforço não foi suficiente. Segundo a própria empresa, bancos passaram a reter recursos e cresceu o risco de interrupção de serviços essenciais à operação, entre eles os sistemas de tecnologia usados nas lojas. Sem uma saída negociada, o grupo protocolou o pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24), aceito pela Justiça no dia seguinte.

No pedido, a empresa atribui a crise a três frentes que se somaram nos últimos anos. A alta da taxa Selic encareceu as dívidas contraídas para sustentar a operação, fazendo com que uma parcela crescente da receita fosse consumida pelo pagamento de juros.

O avanço dos aplicativos de entrega também pesou, visto que, por um lado, ajudou a manter parte das vendas, mas mudou o padrão de consumo e pressionou o desempenho das lojas físicas. Por fim, a pandemia impactou lojas de grandes centros urbanos, agravadas pela consolidação do trabalho remoto, que reduziu a circulação de público em regiões comerciais e shoppings.

O valor total declarado pelo grupo soma R$ 265.207.959,83. A maior fatia, de R$ 241,7 milhões, está classificada como créditos sem garantia específica, categoria que reúne a maior parte das obrigações com bancos, fornecedores e demais parceiros comerciais. Outros R$ 22,3 milhões referem-se a dívidas trabalhistas, e R$ 1,15 milhão é devido a micro e pequenas empresas.

A partir de agora, o grupo controlador do Habib’s tem cerca de 60 dias para apresentar aos credores um plano de recuperação. É esse documento que dará início às negociações que vão definir como, e em quanto tempo, as dívidas serão efetivamente pagas.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/04/1420x240-Planilha-vida-financeira-true.png

Giovanna Oliveira

Compartilhe sua opinião