PIB dos EUA decepciona, mas detalhe do dado acende alerta para o Fed

A economia dos EUA pisou no freio no segundo trimestre, mas não exatamente onde o mercado esperava. O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% entre abril e junho, abaixo dos 2,1% projetados por economistas consultados pela Reuters e também inferior ao avanço de 2,1% registrado no primeiro trimestre.

O número mais fraco pode parecer, à primeira vista, um sinal claro de perda de força. Mas os detalhes mostram uma economia ainda sustentada pelo consumo das famílias e pelos investimentos das empresas, especialmente em equipamentos e infraestrutura ligados à inteligência artificial.

O principal peso negativo veio do aumento das importações, que são descontadas no cálculo do PIB, além da redução dos estoques e da queda dos gastos do governo.

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PIB dos EUA veio fraco, mas consumo resistiu

Os gastos dos consumidores, responsáveis pela maior parte da atividade americana, avançaram 3,2% no trimestre, acelerando fortemente em relação ao início do ano. Já os investimentos empresariais em equipamentos cresceram 15,2%, apoiados principalmente pelos gastos relacionados à inteligência artificial.

Outro indicador acompanhado de perto pelo mercado, as vendas finais reais para compradores privados domésticos, subiu 3,9%, maior ritmo em três anos e bem acima dos 1,7% do primeiro trimestre. O dado reúne consumo e investimentos privados e costuma oferecer uma leitura mais limpa da demanda interna.

Ou seja, o número cheio do PIB veio abaixo do esperado, mas a demanda doméstica mostrou mais força do que a manchete sugere.

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O que o dado muda para o Fed?

O crescimento mais lento poderia, isoladamente, reduzir a pressão para uma alta de juros nos Estados Unidos. O problema é que a inflação continua desconfortável.

O índice de preços das compras domésticas avançou 5,7% no segundo trimestre, maior alta em quatro anos. Já o índice de preços de gastos com consumo, o PCE, subiu 5,1% no período, enquanto o núcleo avançou 3,4%, ainda acima da meta de 2% do Fed.

Assim, o banco central americano enfrenta uma combinação delicada: crescimento abaixo do esperado, mas demanda privada resistente e inflação ainda elevada. Essa leitura dificulta tanto uma alta imediata quanto uma sinalização mais clara de cortes.

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Na última quarta-feira (29 de julho), o Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, mas três integrantes votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual. Após os novos dados, operadores ainda atribuíram cerca de 57% de probabilidade a uma alta em setembro.

Como os mercados reagiram?

O dólar perdeu força contra outras moedas após a divulgação, refletindo a leitura de que o resultado mais fraco pode limitar o espaço para novas altas de juros.

Em Wall Street, porém, o avanço das bolsas nesta quinta-feira (30 de julho) foi liderado principalmente pelas ações de tecnologia após resultados corporativos. O Nasdaq subia 1,95%, o S&P 500 avançava 0,78% e o Dow Jones ganhava 0,25%, segundo a Reuters.

Para os mercados emergentes, um Fed menos inclinado a elevar os juros pode reduzir a pressão sobre o dólar e favorecer ativos de risco. Mas o dado não trouxe uma sinalização totalmente confortável: o PIB dos EUA desacelerou, enquanto a demanda interna e a inflação seguem fortes o suficiente para manter o futuro dos juros em aberto.

Maíra Telles

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