Grana na conta

Petrobras (PETR4): ‘Não vamos levar incerteza de fatores geopolíticos imprevisíveis’, diz presidente

O presidente da Petrobras (PETR4), Jean Paul Prates, afirmou que a estatal avançou com uma nova estratégia comercial que prioriza o não repasse da volatilidade do mercado internacional do petróleo. “Não queremos mais levar para dentro da casa do consumidor a incerteza gerada por fatores geopolíticos imprevisíveis”, escreveu Prates na rede X, antigo Twitter.

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A postagem ocorre em meio a cobranças do Ministério de Minas e Energia (MME), para que a estatal reduza os preços dos combustíveis. Na sexta-feira (17), em entrevista à GloboNews, o ministro Alexandre Silveira afirmou que “esperava da Petrobras manifestação mais efetiva de redução de preço”.

Segundo Prates, para que o MME possa orientar a empresa a baixar os preços diretamente, a União deve orientar formalmente a Petrobras por meio de um ato normativo; firmar contrato, convênio ou outro ajuste estabelecendo as condições em que se dará, com ampla publicidade; os custos e receitas referentes a medida deverão ser discriminados e divulgados de forma transparente, inclusive no plano contábil; a proposta deverá ser submetida ao Comitê de Investimentos e ao Comitê de Minoritários, que avaliará se as condições a serem assumidas pela Petrobras requerem que a União compense a estatal pela diferença.

O presidente da Petrobras voltou a dizer que, como empresa estatal mista, pode gerir sua estrutura de forma eficiente e rentável ao mesmo tempo em que contribui para que o país tire bom proveito da autossuficiência em petróleo e da grande capacidade de refino que possui.

“Não faz sentido agir por impulso ou açodamento – como fez o Governo Bolsonaro todo o tempo, quanto a isso. Canso de repetir: a Petrobras não “FAZ” o preço do mercado, e tem sua política comercial definida de acordo com seus parâmetros técnicos, logísticos e operacionais. Portanto, a Petrobras fará ajustes quando e como tais parâmetros indicarem pertinência”, escreveu.

Petrobras (PETR4) foi a principal “responsável” pela queda dos dividendos pelo mundo no 3T23

A Petrobras foi a empresa brasileira que mais afetou os dividendos globais no terceiro trimestre de 2023 (3T23), que recuaram 0,9% no período, chegando a US$ 421,9 bilhões, conforme aponta a gestora do Reino Unido, Janus Henderson.

Esse dado foi obtido com o anúncio da 40ª edição do Índice Global de Dividendos. Além da Petrobras, outra empresa que impactou os dividendos globais foi a empresa australiana do setor de mineração, a BHP.

Caso o índice desconsiderasse os dividendos da Petrobras e da BHP no 3T23, os proventos globais teriam registrado um aumento de 5,3% no período.

“O impacto da BHP e da Petrobras foi desproporcionalmente grande. Cortes acentuados dos dois maiores pagadores de dividendos do mundo em 2022 são raros. As duas empresas sozinhas vão diminuir a taxa de crescimento global em dois pontos percentuais em 2024, impedindo uma melhora no mercado”, destacou a Janus Henderson.

Quanto as empresas devem pagar em dividendos em 2023?

A estimativa da gestora é de que os dividendos das empresas pelo mundo devem somar US$ 1,63 bilhão em 2023, após reajuste negativo diante da projeção anterior, que era de US$ 1,64 bilhão.

Apesar de diminuir a estimativa, os dividendos previstos pela gestora neste ano mostrariam uma alta de 4,4%. Desconsiderando o impacto dessas duas empresas, o crescimento poderia chegar a 5,3%.

A gestora britânica também destacou alguns dos principais motivos que levaram à queda dos dividendos globais. Um deles é o ganho de força do dólar mundo afora, o que acaba afetando a distribuição de proventos realizada nas demais moedas.

Além disso, também teria impactado o pagamento de dividendos das empresas pelo mundo os próprios cortes realizados pontualmente por algumas delas, como é o caso da Petrobras e da BHP.

Por outro lado, a gestora destacou o aumento no pagamento de proventos de empresas de outros setores, o que outrora era mais visto nas companhias relacionadas às commodities.

O head de renda variável da gestora, Ben Lofthouse, acredita ser comum que os dividendos de empresas de commodities possam ter grandes variações.

“Nossos números mostram que uma carteira de renda globalmente diversificada tem estabilizadores naturais. Setores em ascensão, como bancos e petróleo, foram capazes de contrabalançar aqueles com dividendos em declínio, como mineração e química. E é claro, os dividendos costumam ser muito menos voláteis do que os lucros ao longo do tempo, proporcionando conforto em tempos de incerteza econômica”, afirmou.

Os dividendos das empresas brasileiras incluídas no ranking caíram 67,1% neste ano, sendo a queda nos proventos da Petrobras (menos US$ 9,6 bilhões) um dos principais motivos.

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Desempenho das ações da Petrobras

Cotação PETR4

Gráfico gerado em: 19/11/2023
1 Dia

Com informações de Estadão Conteúdo

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Giovanni Porfírio Jacomino

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