Crescer não é o mesmo que avançar. No mercado financeiro, um patrimônio pode até aumentar ao longo dos anos e, ainda assim, estar distante do objetivo que deveria cumprir. A diferença entre acumular e evoluir está na estratégia. Sem direção definida, o dinheiro trabalha, mas pode não entregar o resultado esperado no prazo certo.
A reflexão ganhou força durante uma live recente sobre planejamento financeiro, quando especialistas discutiram a relação entre metas pessoais e construção de riqueza. O ponto central foi claro: investir começa no objetivo, não no ativo.
Durante a transmissão, Tiago Reis, fundador da Suno, destacou que muitos investidores procuram recomendações sem antes definir o propósito do capital. “Para cada pessoa, o planejamento para atingir esses objetivos é diferente e esse é o grande objetivo de ter uma consultoria financeira”, afirmou.
Do sonho ao número
Segundo os especialistas, o erro mais comum está na inversão da lógica. O investidor escolhe produtos financeiros antes de calcular quanto precisa acumular e em quanto tempo. Sem essa conta, a carteira pode até apresentar bons resultados pontuais, mas não necessariamente conduzir à meta desejada.
Tiago Reis reforçou esse ponto ao afirmar que “o objetivo de vida de cada um não é um número, ele é um sonho, um desejo, mas que são quantificados através de um valor financeiro”. A partir dessa tradução é que a estratégia passa a fazer sentido.
Durante a live sobre planejamento patrimonial, os especialistas explicaram que transformar metas em números envolve estimativa de custo de vida, horizonte de tempo, perfil de risco e capacidade de aporte. Só depois dessa etapa é possível estruturar uma alocação coerente.
Decisões que parecem simples, mas não são
Outro tema abordado foi a escolha entre financiar ou pagar à vista um imóvel. A avaliação apresentada foi de que não existe resposta universal. Liquidez, estabilidade de renda e necessidade de mobilidade alteram completamente a decisão.
A discussão também ressaltou que grande parte do resultado no longo prazo vem da alocação estratégica e não apenas da escolha isolada de ativos. Quando a estrutura da carteira não está alinhada ao perfil do investidor, as oscilações do mercado tendem a gerar decisões emocionais, o que pode comprometer a eficiência do patrimônio.
Riscos, impostos e sucessão impactam o tempo
Na parte de gestão de riscos, os especialistas levantaram uma provocação direta. Quanto custa dormir tranquilo? Um imprevisto pode atrasar metas financeiras por anos se não houver proteção adequada.
No campo tributário, foi citado o uso do PGBL como instrumento de eficiência fiscal, permitindo dedução de até 12 por cento da renda tributável anual. Dependendo do perfil, essa economia pode representar diferença relevante no tempo necessário para atingir determinado objetivo.
Já no planejamento sucessório, o foco esteve na liquidez. Estruturas que facilitam o acesso aos recursos por herdeiros podem reduzir custos e evitar atrasos na transmissão do patrimônio.
Tiago Reis sintetizou a lógica apresentada ao longo da live ao afirmar que a consultoria “não é o fim, é o meio para atingir os seus objetivos financeiros”.
A mensagem central foi que investir não deve ser um exercício de reação ao mercado, mas de construção estratégica. Sem metas claras, o crescimento pode ser apenas estatístico. Com planejamento, o patrimônio deixa de ser um número e passa a ser ferramenta para viabilizar um projeto de vida.
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