Nvidia (NVDA) pode surpreender de novo? Safra vê receita acima do consenso e IA ainda com fôlego

A Nvidia (NASDAQ: NVDA) chega ao próximo balanço com uma pergunta que já virou rotina em Wall Street: depois de tantos trimestres de crescimento explosivo, ainda dá para surpreender? Para o Safra, a resposta continua sendo sim. O banco espera números acima do consenso no segundo trimestre fiscal e vê sinais de que o ciclo de investimentos em inteligência artificial ainda tem espaço para avançar.

A companhia divulga seus resultados em 26 de agosto. O Safra projeta receita de US$ 94,2 bilhões, alta de 102% em relação ao mesmo período do ano anterior e 2,4% acima da média das estimativas do mercado. O principal motor segue sendo data centers, com receita esperada de US$ 87,8 bilhões, avanço anual de 114%.

Data centers ainda carregam o crescimento

O negócio de infraestrutura para IA continua concentrando praticamente toda a expansão da Nvidia. Além da receita recorde esperada, o Safra projeta margem bruta GAAP de 74,9%, lucro operacional de US$ 62 bilhões e fluxo de caixa livre de US$ 41,3 bilhões no trimestre.

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Mais importante do que o número em si, porém, será entender se a demanda continua forte o suficiente para sustentar os investimentos bilionários feitos por grandes empresas de tecnologia.

O banco vê sinais positivos nessa direção. Os principais provedores de nuvem vêm mostrando aceleração de receitas, expansão de margens e crescimento dos contratos futuros, enquanto backlog e RPO combinados chegariam a aproximadamente US$ 1,7 trilhão.

Para o Safra, isso reduz o risco de que o atual ciclo de IA seja apenas uma corrida por capacidade sem retorno econômico.

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Guidance pode valer mais que o próprio balanço

O grande teste estará nas projeções para o terceiro trimestre fiscal. O Safra estima receita de US$ 112,1 bilhões, cerca de 7,7% acima do consenso, e lucro ajustado por ação de US$ 2,59, frente aos US$ 2,36 esperados pelo mercado.

A leitura da companhia sobre os próximos meses deve ajudar a responder algumas das principais dúvidas dos investidores: se os hyperscalers continuarão aumentando o capex, se a demanda por GPUs seguirá forte diante do avanço dos ASICs e se a nova arquitetura Vera Rubin já começará a contribuir de forma relevante para as receitas ainda em 2026.

Outro ponto importante será a evolução do networking. Segundo o Safra, esse negócio funciona como um indicador antecedente dos investimentos em computação, porque os equipamentos de rede costumam ser instalados antes da ocupação completa dos novos clusters de data centers.

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Safra ainda vê espaço para alta em NVDA

A visão positiva vai além do próximo trimestre. O banco estima que a Nvidia possa gerar aproximadamente US$ 540 bilhões em fluxo de caixa livre acumulado entre os anos fiscais de 2027 e 2028, o que ampliaria a capacidade de recompras e dividendos. Ao mesmo tempo, a companhia tenta construir novas fontes de receita, incluindo CPUs e modelos mais recorrentes ligados ao uso da infraestrutura.

No relatório mais recente citado pelo Safra, a recomendação para NVDA era Outperform, com preço-alvo de US$ 320, ante cotação de US$ 217,55 na data da análise, o que representava potencial de valorização de 47,1%.

Os riscos continuam relevantes. Entre eles estão uma desaceleração do investimento em IA, maior adoção de chips próprios por grandes empresas de tecnologia, pressão dos custos de memória e dificuldades na transição para novas arquiteturas.

Ainda assim, para o Safra, o próximo balanço da Nvidia (NVDA) deve funcionar menos como uma fotografia do trimestre passado e mais como um teste sobre quanto tempo ainda pode durar o atual ciclo de investimentos em inteligência artificial.

Maíra Telles

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