ETF de renda fixa: veja como o NLFA11 monta a carteira e filtra risco

Os ETFs de renda fixa oferecem, em um único produto, características como diversificação, liquidez diária e eficiência tributária. Nesse contexto, o NLFA11, ETF de letras financeiras da Nu Asset, surgiu como uma alternativa para quem busca exposição ao crédito bancário sem precisar investir diretamente em títulos individuais.

Lançado em dezembro de 2025 e negociado na B3, o fundo replica o desempenho do ILFA, Índice de Letras Financeiras da ANBIMA. Mas, afinal, como funciona a carteira do ETF e quais filtros são utilizados para reduzir os riscos dessa estratégia?

O que é o NLFA11?

O NLFA11 é um ETF de renda fixa criado para acompanhar, antes de taxas e despesas, a performance do ILFA, índice desenvolvido pela ANBIMA para servir como referência do mercado de letras financeiras emitidas por instituições financeiras.

Pela política de investimento do fundo, ao menos 95% do patrimônio deve permanecer investido nos ativos que compõem o índice. Os 5% restantes podem ser alocados em outros investimentos permitidos ou mantidos em caixa.

Na prática, o produto transforma em um ativo negociado em bolsa um mercado que, durante muitos anos, permaneceu praticamente restrito a investidores institucionais e de alta renda.

“As Letras Financeiras são um mercado extremamente robusto, mas historicamente pouco acessível ao investidor pessoa física“, afirma Andrés Kikuchi, diretor de investimentos da Nu Asset.

“O grande diferencial do NLFA11 é a replicação de um índice concebido para se tornar referência na precificação de ativos de crédito privado emitidos por instituições financeiras no Brasil. O produto combina exposição ao crédito bancário, liquidez característica dos ETFs, eficiência tributária e a solidez de um índice desenvolvido pela própria ANBIMA.”

Como o ETF monta sua carteira?

O principal filtro do NLFA11 está justamente na metodologia do ILFA.

A carteira é formada majoritariamente por letras financeiras seniores emitidas por grandes instituições financeiras, com perfil considerado high grade. Entre os emissores presentes no índice estão bancos como Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, BTG Pactual, Safra, XP e Votorantim.

Essa diversificação reduz a dependência do desempenho ou da capacidade de pagamento de uma única instituição financeira.

Segundo Victoria Renofio, portfolio manager da Nu Asset, o índice também adota critérios rigorosos para definir quais títulos podem fazer parte da carteira.

“Não é qualquer emissor que entra no índice. O papel precisa ter liquidez e divulgação consistente de spread”, explica.

De acordo com a executiva, o ILFA seleciona apenas letras financeiras seniores remuneradas a CDI+, com prazo de aproximadamente dois anos e spreads divulgados diariamente pela ANBIMA.

“Um ETF é um fundo indexado. Existe um índice por trás dele e uma transparência muito grande para o investidor”, afirma Renofio. “A liquidez proporcionada pela negociação em bolsa é um dos principais diferenciais do produto.”

O que são Letras Financeiras?

As Letras Financeiras (LFs) são títulos de renda fixa emitidos por bancos com o objetivo de captar recursos para financiar operações de médio e longo prazo.

Ao contrário dos CDBs, elas costumam ter prazos maiores e não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em compensação, historicamente oferecem remunerações mais atrativas, em parte porque os bancos não precisam recolher compulsórios sobre esses instrumentos.

O estoque desse mercado ultrapassou R$ 700 bilhões em 2025, segundo dados do setor. Apesar do tamanho, o acesso direto pelos investidores pessoa física era limitado pelos altos valores mínimos de aplicação, frequentemente acima de R$ 50 mil.

Com o NLFA11, essa barreira de entrada diminui significativamente. As cotas do ETF podem ser negociadas em bolsa por valores próximos de R$ 100, ampliando o acesso ao segmento.

Como o ETF busca reduzir os riscos?

Embora continue exposto ao risco de crédito bancário, o NLFA11 incorpora alguns mecanismos que procuram reduzir esse risco em comparação à compra de um único título.

O primeiro deles é a diversificação automática entre diversos emissores relevantes do sistema financeiro.

O segundo está relacionado à qualidade do crédito. O índice prioriza Letras Financeiras seniores emitidas por instituições de grande porte, consideradas de menor risco relativo dentro do mercado bancário.

Outro aspecto importante é a duration média da carteira, atualmente em torno de 2,2 anos. Essa característica tende a reduzir a volatilidade do produto quando comparada a instrumentos de crédito privado com vencimentos muito mais longos.

A precificação do ETF é feita a mercado, como ocorre com outros fundos negociados em bolsa. Ainda assim, a composição do índice ajuda a suavizar oscilações mais intensas.

Liquidez diária é compatível com ativos de prazo longo?

Uma das dúvidas mais comuns sobre ETFs de crédito diz respeito justamente à liquidez.

Como títulos com vencimentos mais longos podem sustentar um produto negociado diariamente em bolsa?

No caso do NLFA11, essa dinâmica é apoiada pela atuação de um formador de mercado, responsável por manter ofertas de compra e venda ao longo do pregão.

A função é desempenhada pelo BTG Pactual, o que contribui para reduzir distorções entre preços e facilitar a negociação das cotas pelos investidores.

Além disso, o ETF possui liquidação em D+1, permitindo que os recursos estejam disponíveis um dia útil após a venda das cotas.

Diferentemente de uma LF adquirida diretamente, o investidor não precisa esperar o vencimento do título para sair da posição.

Tributação é um dos diferenciais

Outro ponto frequentemente destacado pela Nu Asset é a eficiência tributária do produto.

O NLFA11 possui alíquota fixa de 15% de Imposto de Renda sobre o ganho de capital, independentemente do prazo da aplicação. Além disso, não há incidência de come-cotas nem cobrança de IOF, em uma estrutura que se difere da tributação observada em outras alternativas de renda fixa.

Nos CDBs, por exemplo, o IR segue tabela regressiva, variando de 22,5% a 15% conforme o prazo do investimento. Já fundos tradicionais de renda fixa estão sujeitos à antecipação semestral do imposto por meio do come-cotas.

Na prática, a ausência dessas tributações intermediárias tende a favorecer estratégias de horizonte mais longo, preservando o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.

Quais são os riscos do NLFA11?

Apesar dos filtros adotados pelo índice, o investimento não é isento de riscos.

O principal deles continua sendo o risco de crédito. Como as Letras Financeiras não possuem garantia do FGC, os investidores permanecem expostos à capacidade de pagamento das instituições emissoras.

Também existe o risco de mercado. Como as cotas são negociadas em bolsa e marcadas a mercado, seus preços podem oscilar em função de mudanças nas expectativas para os juros, alterações nos spreads de crédito ou períodos de maior estresse financeiro.

Outro ponto importante é compreender que o ETF não funciona da mesma forma que um título carregado até o vencimento. O retorno efetivamente obtido dependerá do preço de compra e venda das cotas ao longo do período.

Para quem o NLFA11 pode fazer sentido?

O ETF não substitui necessariamente aplicações tradicionais, como Tesouro Direto ou CDBs, especialmente para investidores que estão começando a construir patrimônio.

Por outro lado, o NLFA11 pode ser considerado por quem busca diversificação dentro da renda fixa, deseja acessar o mercado de crédito bancário com valores menores, valoriza liquidez negociada em bolsa e procura estruturas tributariamente mais eficientes para horizontes de longo prazo.

Guilherme Serrano Silva

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