Natura (NATU3): XP reforça recomendação após venda de operações da Avon
A XP Investimentos reiterou a recomendação de compra para as ações da Natura (NATU3) em um novo relatório divulgado nesta segunda-feira (22). A análise considera novos desdobramentos envolvendo a reestruturação da Avon e a conclusão de um acordo judicial nos Estados Unidos.
Na sexta-feira (23), a Natura informou ter firmado acordo para encerrar o chamado “caso Chapman”, nos EUA, após decisão desfavorável à antiga Avon Products Inc. (API) na Corte de Apelações da Califórnia. A companhia optou por assumir o pagamento de US$ 67 milhões para acionar a cobertura de seguro contratada e encerrar definitivamente a discussão judicial.
O valor corresponde a cerca de 3% da capitalização de mercado da empresa. O desembolso ocorrerá em 6 de março e será provisionado no resultado do quarto trimestre como operação descontinuada.
Apesar de considerar o evento negativo, a casa entende que o impacto financeiro da decisão é limitado e que a companhia encerra, de forma definitiva, um capítulo de contingências ligadas à subsidiária.
Venda das operações da Avon devem compensar impactos da decisão
Segundo a XP, o impacto financeiro será amplamente compensado pelos recursos obtidos com alienações recentes de ativos da Avon. A venda da Avon CARD e das operações na Rússia geraram aproximadamente US$ 54 milhões, montante que suaviza a saída de caixa relacionada ao acordo.
Na avaliação dos analistas, embora o desfecho tenha sido inesperado dentro do processo de reestruturação da Avon, a resolução elimina a última obrigação relevante vinculada aos litígios da API. O caso Chapman era o único processo que havia ficado fora do Chapter 11 da subsidiária, devido à sua complexidade e à existência de uma fiança específica.
“Nesse contexto, acreditamos que este acordo encerra de forma efetiva as discussões relacionadas ao talco, reforçando o foco da Natura em suas operações principais”, diz o relatório.
Vale a pena investir em NATU3?
Para a XP, superada essa etapa, a Natura entra em 2026 com espaço para um novo ciclo corporativo. A empresa deve operar de forma mais enxuta, com foco nas marcas principais e em crescimento orgânico, além de potencial geração de valor ao acionista.
Mesmo reconhecendo o caráter negativo do desembolso adicional, a XP avalia que este deve ser o último impacto relevante ligado à reestruturação da Avon. Diante da redução de riscos legais e da simplificação da estrutura, a instituição manteve a recomendação de compra para as ações NATU3.