Marcopolo (POMO4) tem início de ano fraco, mas BTG vê gatilhos e potencial de alta de quase 50%

O início de 2026 da Marcopolo (POMO4) não empolgou, mas pode esconder uma virada relevante mais à frente. Segundo relatório do BTG Pactual, a companhia deve registrar um primeiro trimestre fraco, já esperado pelo mercado, em meio a uma combinação de fatores sazonais e demanda ainda pressionada.

Ainda assim, a casa mantém visão construtiva para o papel, com preço-alvo de R$ 10, o que implica potencial de valorização de cerca de 47,9% frente aos níveis atuais .

Produção decepciona no início do ano, mas cenário já era esperado

Os dados mais recentes da indústria mostram um começo de ano morno. No primeiro trimestre, a produção consolidada do setor somou 6.799 unidades, queda de 2% na comparação anual e de 16% frente ao trimestre anterior. Já a Marcopolo registrou 2.994 unidades no período, recuo de 7% na base anual .

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Na visão do BTG, esse desempenho não chega a surpreender. “Esperamos que a Marcopolo entregue um primeiro trimestre fraco, refletindo a sazonalidade típica do período”, apontam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.

Segundo o relatório, fatores como paralisações de fábricas, feriados e juros elevados seguem pressionando a demanda, especialmente no mercado doméstico.

Mix e exportações pressionam margens no curto prazo

Outro ponto de atenção está na composição das vendas. O mix de produção segue concentrado em segmentos de menor valor agregado, como micro-ônibus e urbanos, o que limita a expansão de margens no curto prazo.

Em março, esses segmentos representaram a maior parte dos volumes, enquanto os ônibus rodoviários, que possuem maior rentabilidade, ainda têm participação reduzida no início do ano .

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Além disso, o desempenho das exportações também perdeu força. A produção para o mercado externo caiu 22% na comparação anual em março, refletindo uma base mais forte no ano anterior e menor dinamismo recente .

Marcopolo (POMO4) segue barata, mas depende de recuperação de volume

Mesmo com esse cenário mais desafiador no curto prazo, o BTG destaca que a ação segue com valuation atrativo. A empresa negocia a múltiplos considerados baixos, com P/L projetado de cerca de 6 vezes para 2026 e dividend yield relevante .

Ainda assim, o banco mantém recomendação neutra, à espera de sinais mais claros de retomada. “Acreditamos que um outlook mais forte de volumes será fundamental para destravar revisões positivas de lucro”, afirmam os analistas.

Nesse contexto, a Marcopolo (POMO4) aparece como uma tese que ainda depende de melhora operacional para ganhar tração, mesmo com potencial relevante de valorização no papel.

Maíra Telles

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