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Lojas Renner (LREN3) corta projeção de vendas após 2T26 mais fraco; ainda vale comprar?

Lojas Renner (LREN3)

Lojas Renner - Foto: Divulgação

A Lojas Renner (LREN3) atravessou o segundo trimestre de 2026 com uma combinação que deixou o investidor entre dois sinais. De um lado, a companhia preservou margens, manteve estoques sob controle e continuou avançando no digital. Do outro, as vendas perderam ritmo, ficaram abaixo do esperado e levaram a empresa a reduzir sua projeção de crescimento para o ano.

Na avaliação do BTG Pactual, o balanço veio mais fraco na linha de receita, embora a rentabilidade tenha mostrado resistência. O banco manteve recomendação de compra para LREN3, com preço-alvo de R$ 20, frente aos R$ 13,48 usados como referência no relatório, o que implica potencial de valorização de 48,4%.

O que pesou no resultado da Lojas Renner?

A receita líquida do varejo somou R$ 3,69 bilhões, crescimento de apenas 1,1% na comparação anual e cerca de 3% abaixo da projeção do BTG. As vendas em mesmas lojas, indicador que considera unidades abertas há mais de um ano, avançaram só 0,5%, bem abaixo dos 3,2% esperados pelos analistas.

O banco relaciona essa desaceleração a uma combinação de consumo mais fraco, impacto da Copa do Mundo sobre o fluxo nas lojas e intensificação da concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico.

Ainda assim, o digital foi um dos pontos positivos: o GMV online cresceu 13,1% em um ano e passou a representar 16,9% das vendas totais.

Margens resistiram mesmo com vendas mais fracas

A desaceleração da receita não provocou uma deterioração equivalente na rentabilidade.

O lucro bruto do varejo chegou a R$ 2,12 bilhões, alta anual de 1,8%, enquanto a margem bruta avançou 0,4 ponto percentual, para 57,5%. No segmento de vestuário, a margem ficou em 58,7%.

Segundo os analistas, a melhora veio principalmente da maior participação de vendas a preço cheio, da disciplina na gestão dos estoques, de avanços na cadeia de suprimentos e de um cenário cambial mais favorável.

O Ebitda ajustado consolidado alcançou R$ 845 milhões, praticamente estável em relação ao 2T25 e 5% abaixo da estimativa do BTG. Já o lucro líquido ficou em R$ 405 milhões, também praticamente estável no comparativo anual.

Renner corta guidance para 2026

O principal anúncio do trimestre veio das projeções. Após o desempenho mais fraco das vendas, a companhia reduziu sua expectativa de crescimento da receita de varejo em 2026 para uma faixa de 4% a 8%, ante a previsão anterior de 9% a 13%.

Apesar da revisão, a administração manteve as demais metas de médio e longo prazo. Entre elas estão a abertura de 50 a 60 lojas Renner em 2026 e a expectativa de chegar a entre 570 e 600 unidades da marca até 2030.

A empresa também continua projetando uma melhora no segundo semestre, apoiada por uma base comparativa mais favorável, reabertura de lojas, expansão da área de vendas e novas iniciativas comerciais.

Crédito segue mais conservador

Na Realize, braço de serviços financeiros do grupo, o lucro operacional caiu para R$ 53,5 milhões, abaixo tanto do ano anterior quanto das expectativas do BTG.

A companhia manteve uma política de concessão de crédito mais seletiva. A participação do cartão próprio nas vendas caiu para 28%, enquanto a carteira total de crédito recuou 1% em um ano.

A estratégia ajuda a limitar riscos em um ambiente de endividamento elevado das famílias, embora também restrinja o crescimento da base de clientes e das receitas financeiras.

Ainda vale comprar LREN3?

Apesar do trimestre mais fraco e da redução do guidance, o BTG manteve recomendação de compra.

A leitura é que o preço atual ainda incorpora boa parte das dificuldades de curto prazo. A ação negociava a cerca de 9 vezes o lucro projetado para 2026 no relatório, enquanto os analistas enxergam suporte adicional na remuneração via dividendos, juros sobre capital próprio e eventual recompra de ações.

O banco projeta dividend yield líquido de 6,7% em 2026, subindo para 7,1% em 2027 e 8,2% em 2028. Ao mesmo tempo, reconhece que faltam gatilhos de curto prazo para uma recuperação mais rápida da ação.

O principal ponto de atenção continua sendo o ritmo das vendas. Juros ainda elevados, endividamento das famílias e concorrência crescente das plataformas internacionais podem continuar limitando o consumo no segundo semestre.

Assim, o 2T26 mostrou uma Lojas Renner (LREN3) ainda capaz de defender suas margens, mas enfrentando mais dificuldade para crescer. Para os analistas, a tese de longo prazo permanece, embora a recuperação das vendas tenha se tornado o principal teste para os próximos trimestres.

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