JBS (JBSS32) enfrenta “tempestade perfeita”; entenda por que a XP ainda vê virada

A JBS (JBSS32) deve atravessar um dos trimestres mais desafiadores dos últimos ciclos, mas, na leitura da XP Investimentos, esse momento pode representar justamente o fundo dos resultados da companhia em 2026. O relatório aponta um primeiro trimestre pressionado por margens mais fracas em praticamente todas as operações e por uma queima relevante de caixa.

Ainda assim, o diagnóstico não é totalmente negativo. Mesmo diante de um cenário mais difícil no curto prazo, os analistas enxergam espaço para recuperação ao longo do ano, à medida que os ciclos globais de proteínas avancem e novos gatilhos comecem a aparecer.

Margens pressionadas e geração de caixa negativa

Segundo a XP, a JBS deve registrar compressão sequencial de margens em todas as divisões, com exceção da operação brasileira na comparação anual.

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A projeção é de receita líquida de R$ 112,6 bilhões, com leve queda frente ao ano anterior e recuo mais forte na base trimestral. Já o EBITDA ajustado deve cair de forma relevante, refletindo o ambiente mais desafiador para a companhia.

Além disso, a empresa deve apresentar queima de caixa de cerca de R$ 3,2 bilhões no período, movimento considerado em linha com a sazonalidade do início do ano.

Operações nos EUA concentram as pressões

Grande parte das dificuldades vem das operações nos Estados Unidos, especialmente no segmento de carne bovina, onde o ciclo pecuário segue desfavorável.

A XP destaca que a unidade USA Beef pode registrar margens negativas, impactada pela menor oferta de gado e pelo aumento de custos. Já a Pilgrim’s Pride também deve enfrentar pressão, com spreads mais apertados e efeitos de paralisações recentes.

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Ao mesmo tempo, a divisão Seara deve seguir um comportamento sazonal, com queda sequencial de margens, ainda que sustentada por mercados externos resilientes.

Brasil ajuda a sustentar o resultado

Em meio ao cenário mais pressionado, a operação brasileira aparece como um dos principais pontos de sustentação.

De acordo com a XP, a JBS Brasil deve ser a única divisão com melhora de margens na comparação anual, beneficiada por spreads de exportação ainda favoráveis, mesmo diante da alta no preço do gado.

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Esse desempenho ajuda a reduzir parte das pressões vindas do exterior, embora não seja suficiente para compensar completamente o cenário global mais fraco.

JBSS32 pode estar perto do pior momento

Apesar do trimestre negativo, o relatório traz um ponto importante para investidores. O primeiro trimestre pode marcar o momento mais fraco da companhia ao longo de 2026.

A ausência de gatilhos no curto prazo e as incertezas sobre o ciclo pecuário nos Estados Unidos ainda devem pesar sobre o papel. Por outro lado, a expectativa é de melhora gradual ao longo do ano, com possível impacto positivo de fatores como a inclusão da empresa em índices internacionais.

“acreditamos que o primeiro trimestre deve marcar o piso dos resultados da companhia em 2026, com potencial de melhora à medida que ganhamos maior visibilidade sobre os ciclos de proteínas ao longo do ano”, aponta a XP sobre a JBS.

Maíra Telles

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