Itaúsa (ITSA4) lucra R$ 4,5 bilhões e reforça tese de dividendos em meio à volatilidade

A Itaúsa (ITSA4) começou 2026 entregando um resultado robusto e reforçando uma das teses mais queridas entre investidores da Bolsa: geração consistente de caixa e remuneração ao acionista. A holding reportou lucro líquido recorrente de R$ 4,5 bilhões no primeiro trimestre, alta de 17% na comparação anual, sustentada principalmente pelo desempenho do Itaú Unibanco e pela recuperação das investidas fora do setor financeiro.

O resultado veio acompanhado de um ROE recorrente de 20,1%, avanço de 2,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, mostrando que, mesmo em um ambiente global mais turbulento, a holding segue entregando rentabilidade elevada.

Segundo Alfredo Setubal, presidente e diretor de Relações com Investidores da Itaúsa, o trimestre reforça a resiliência do portfólio da companhia. “Mesmo diante de um cenário de maior volatilidade e de transição do ciclo monetário, seguimos entregando resultados consistentes. O crescimento de duplo dígito do lucro recorrente e o ROE de 20% refletem a qualidade do nosso portfólio”, afirmou.

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Itaú Unibanco segue como motor, mas não foi o único destaque

Como esperado, o Itaú Unibanco continuou sendo a principal engrenagem da holding.

O resultado recorrente consolidado das investidas somou R$ 4,8 bilhões, alta de 16% na comparação anual, impulsionado principalmente pelo desempenho do banco, mas com um dado que chamou atenção: as investidas não financeiras avançaram 76% no período.

O Itaú reportou expansão da carteira de crédito no Brasil e na América Latina, inadimplência sob controle, avanço das operações de seguros e previdência e melhora operacional, com índice de eficiência de 37,1% no consolidado. Mas a leitura mais interessante do trimestre veio justamente da diversificação.

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A Dexco mostrou evolução nas divisões de madeira e metais, a Alpargatas voltou a crescer em receita, Ebitda e lucro, enquanto a Motiva foi beneficiada por reajustes tarifários e maior tráfego nos ativos.

Copa Energia também apresentou melhora operacional relevante, com crescimento de Ebitda e lucro impulsionado por maior volume e margens mais fortes.

Já a Aegea teve pressão financeira, mas ainda assim contribuiu positivamente para a Itaúsa graças ao aumento de capital realizado no trimestre, movimento que elevou a participação da holding para 13,27%.

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Dividendos seguem no centro da tese da Itaúsa

Se o resultado operacional agradou, a remuneração ao acionista continua sendo um dos principais chamarizes da companhia. A Itaúsa distribuiu R$ 1,3 bilhão aos acionistas no trimestre, alta de 39% na comparação anual.

Nos últimos 12 meses encerrados em março, a holding acumulou dividend yield de 8,8%, um dos patamares mais elevados entre grandes companhias da B3. Além disso, o retorno total ao acionista (TSR), que considera valorização das ações e proventos distribuídos, atingiu 67,6% no período, superando os principais índices de mercado, segundo a companhia.

A estrutura financeira também segue robusta. A holding destacou posição confortável de liquidez, alongamento do perfil da dívida e redução do custo médio de financiamento.

Na prática, o trimestre reforça a percepção de que a Itaúsa conseguiu ir além da dependência exclusiva do Itaú, com um portfólio mais diversificado e uma máquina consistente de geração de caixa. Como resumiu a companhia, a estratégia segue focada em “criação de valor sustentável” para os acionistas da Itaúsa.

Maíra Telles

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