IPCA-15 acelera e acende alerta: prévia da inflação muda o tom de 2026

A prévia da inflação brasileira voltou a ganhar força. O IPCA-15 subiu 0,20% em janeiro, marcando a taxa mais alta para o mês desde 2024 e interrompendo três meses seguidos de desaceleração. O dado foi divulgado nesta terça-feira (27) pelo IBGE e fez a inflação acumulada em 12 meses avançar para 4,50%, acima dos 4,41% registrados até dezembro.

O movimento reacende o debate sobre a trajetória dos preços em 2026 e coloca o mercado em atenção redobrada, especialmente às vésperas de decisões importantes de política monetária.

O que puxou o IPCA em janeiro

O principal impacto individual veio do grupo Saúde e cuidados pessoais, que subiu 0,81% e respondeu por 0,11 ponto porcentual do índice geral. O avanço foi influenciado, sobretudo, pelos artigos de higiene pessoal, que aumentaram 1,38%, além dos planos de saúde, com alta de 0,49%.

Outro destaque foi Alimentação e bebidas, grupo de maior peso no índice, que acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio voltou a subir após sete meses de queda, pressionada por aumentos expressivos no tomate (16,28%) e na batata-inglesa (12,74%). Carnes e frutas também contribuíram para a alta.

Já a alimentação fora de casa avançou 0,56%, refletindo reajustes em lanches e refeições, um sinal de que a inflação de serviços segue presente no dia a dia do consumidor.

Quedas que aliviaram o índice

Dois grupos ajudaram a conter uma alta ainda maior do IPCA-15: Habitação e Transportes.

Habitação caiu 0,26%, puxada pela redução de 2,91% na energia elétrica residencial, em função da vigência da bandeira tarifária verde. Esse item teve o maior impacto negativo do mês.

Transportes recuou 0,13%, influenciado principalmente pela queda de 8,92% nas passagens aéreas e reduções nas tarifas de ônibus urbano em algumas capitais, em meio a políticas de gratuidade em domingos e feriados. Apesar disso, os combustíveis subiram, com alta média de 1,25%.

Inflação espalhada pelo país

A alta de preços foi observada na maior parte das regiões pesquisadas. Recife registrou a maior variação mensal, de 0,64%, enquanto São Paulo teve o menor resultado, com leve deflação de 0,04%, influenciada pela queda na energia elétrica e no leite longa vida.

O resultado nacional reforça que a inflação não está concentrada em um único item, mas distribuída entre alimentos, serviços e bens essenciais, o que tende a manter o Banco Central atento ao ritmo da desinflação.

O que o dado sinaliza para os juros

Mesmo com a desaceleração frente a dezembro (0,25%), o avanço do acumulado em 12 meses indica que o processo de alívio inflacionário pode não ser linear. A leitura de janeiro sugere que choques pontuais — como alimentos e serviços — ainda têm força para pressionar o índice.

Para o mercado, o dado do IPCA-15 entra no radar das decisões do Copom, que avalia o espaço para cortes adicionais na Selic ao longo do ano.

No início de 2026, o comportamento do IPCA volta ao centro das atenções e mostra que o caminho até uma inflação mais confortável ainda exige cautela.

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Maíra Telles

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