Intelbras (INTB3) sobe quase 5% após 4T25; margens avançam e XP vê foco em rentabilidade

O lucro veio abaixo do esperado, mas o mercado decidiu olhar além da última linha do balanço. A Intelbras (INTB3) avança cerca de 4,9% nesta manhã, negociada a R$ 13,69, após divulgar os resultados do quarto trimestre de 2025. A leitura predominante é de que a companhia entregou melhora consistente de margens e disciplina operacional, mesmo com a receita ainda pressionada e impactos tributários afetando o lucro líquido.

A receita líquida consolidada somou R$ 1,168 bilhão, recuo de 9,3% na comparação anual e avanço de 3,8% frente ao trimestre anterior. Segundo relatório assinado por Bernardo Guttmann e Luís Chagas, CFA, da XP Research, o trimestre veio “amplamente em linha em termos de receita, com continuidade da expansão de margens e desempenho operacional resiliente, embora o lucro líquido tenha ficado abaixo da nossa estimativa devido a efeitos tributários”.

Mix mais saudável sustenta expansão de margens

O segmento de Segurança cresceu 3,4% na comparação anual, ganhando peso no mix. Já TIC recuou 11,6% e Energia caiu 36,8%, ainda refletindo a estratégia deliberada da companhia de priorizar rentabilidade em detrimento de volume em subsegmentos mais intensivos em capital ou de menor retorno.

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Essa mudança estratégica aparece com mais clareza na rentabilidade. A margem bruta atingiu 30,7%, avanço de 171 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior. As despesas operacionais recuaram 3,8% ano contra ano, evidenciando continuidade no controle de custos e simplificação estrutural.

O EBITDA totalizou R$ 162 milhões, queda de 1,9% na base anual, mas avanço de 12,6% na comparação trimestral. A margem EBITDA chegou a 13,9%, superando ligeiramente a estimativa da XP. Para os analistas, o resultado está “em linha com a tese de turnaround centrada no retorno sobre o capital investido”, reforçando o foco da gestão na eficiência.

Lucro pressionado por imposto, não por operação

O lucro líquido atingiu R$ 138 milhões, alta de 8,2% na comparação anual, mas abaixo da projeção da casa. O desvio foi atribuído principalmente a efeitos tributários no trimestre, incluindo impactos de imposto diferido relacionados a posições em derivativos.

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Como destacam Guttmann e Chagas, “o lucro líquido ficou abaixo da nossa estimativa, apesar do sólido desempenho operacional, principalmente devido a efeitos tributários no trimestre”. Ou seja, o resultado operacional melhorou tanto na base anual quanto na sequencial, mas a linha de impostos compensou parte dessa evolução.

Caixa robusto e 2026 ainda desafiador

A Intelbras encerrou o ano com R$ 1,07 bilhão em caixa, mantendo posição líquida positiva mesmo após a distribuição de R$ 300 milhões em dividendos em dezembro. O fluxo de caixa operacional no trimestre foi de R$ 348 milhões, beneficiado pela normalização do capital de giro e ajustes de estoques.

O ROIC pré-impostos atingiu 15,1%, avanço de 60 pontos-base na comparação trimestral, refletindo tanto melhora operacional quanto redução do capital investido.

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Ainda assim, a XP pondera que a visibilidade de receita permanece limitada, especialmente nos segmentos de TIC e Energia. No relatório, os analistas afirmam que “a visibilidade de receita segue restrita, especialmente em TIC e Energia, e a gestão ainda sinaliza um primeiro semestre de 2026 desafiador, antes de uma recuperação mais gradual”.

A alta de INTB3 nesta sessão sugere que o mercado, ao menos no curto prazo, optou por valorizar a evolução das margens e a disciplina de capital, mesmo diante de um ambiente ainda incerto para crescimento de receita.

Maíra Telles

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