Ibovespa sobe com petróleo, mas guerra muda o jogo no fim de março

O Ibovespa iniciou a semana em leve recuperação nesta segunda-feira (31), ao avançar 0,53%, aos 182.514,20 pontos, em um pregão ainda marcado pela influência da guerra no Oriente Médio sobre os mercados globais.

Apesar do ganho na sessão, o índice caminha para encerrar março no vermelho, refletindo a mudança de cenário em relação ao início do ano. Após um primeiro bimestre favorecido pelo fluxo estrangeiro para emergentes, o aumento da tensão geopolítica passou a ditar o ritmo dos ativos.

No mês, o índice recua cerca de 3,32%, enquanto no ano ainda acumula alta próxima de 12%.

Ibovespa (IBOV): petróleo sustenta o índice

O principal suporte para a bolsa brasileira segue vindo do setor de energia.

As ações da Petrobras (PETR3; PETR4) voltaram a contribuir para amortecer as perdas recentes, refletindo a valorização do petróleo no cenário global. No ano, os papéis acumulam ganhos expressivos, acompanhando o rali da commodity.

Outras empresas ligadas ao setor também tiveram desempenho positivo, como Brava e PetroReconcavo, enquanto a Vale registrou alta moderada.

Segundo Nicolas Gass, o movimento da bolsa tem sido fortemente influenciado pela commodity: “O movimento de hoje da bolsa brasileira é fortemente impulsionado pelo petróleo. O Ibovespa sobe, em grande medida, carregado por esse efeito, reagindo de forma bastante sensível ao barril do Brent.”

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Juros e varejo limitam ganhos da bolsa

Se o petróleo sustenta o índice, os juros seguem como contraponto.

Empresas mais sensíveis ao crédito e à atividade doméstica voltaram a cair:

  • Lojas Renner (-4,70%)
  • C&A (-4,33%)
  • Vamos (-3,71%)

O setor financeiro também perdeu força ao longo da tarde, com desempenho misto entre os bancos, refletindo a cautela com a trajetória da Selic.

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Para Gass, o cenário de juros mudou de forma relevante. “A expectativa de cortes mais agressivos perdeu força. O ajuste agora tende a ser mais lento e cauteloso, o que penaliza empresas mais dependentes de crédito.”

Exterior misto e guerra segue no radar

O ambiente externo seguiu influenciando os negócios, ainda que de forma menos intensa do que nas semanas anteriores.

Em Nova York, os índices fecharam sem direção única:

  • Dow Jones +0,11%
  • S&P 500 -0,39%
  • Nasdaq -0,73%

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A desaceleração ao longo da tarde refletiu a persistência das incertezas geopolíticas, especialmente em torno do Estreito de Ormuz e dos impactos sobre a oferta de energia.

Fluxo estrangeiro ainda sustenta o Ibovespa

Mesmo com a deterioração do cenário global, o fluxo estrangeiro continua sendo um fator relevante para a bolsa brasileira.

Relatório do Citigroup aponta que cerca de R$ 49 bilhões entraram no mercado acionário brasileiro em 2026, ajudando a sustentar o desempenho do índice no ano.

Ainda assim, o banco destaca que o ambiente ficou mais desafiador desde o fim de fevereiro, com aumento do pessimismo global e riscos adicionais ligados à geopolítica, câmbio e cenário eleitoral.

Mercado segue dependente do noticiário

Para os próximos dias, a atenção se volta novamente ao cenário externo e à agenda macro, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

Dados como o payroll americano e indicadores de atividade devem ajudar a calibrar as expectativas sobre os impactos da guerra na economia global.

Enquanto isso, o Ibovespa segue em um ambiente de maior volatilidade, dividido entre o suporte do petróleo e a pressão dos juros — com a direção do mercado ainda dependente, sobretudo, dos desdobramentos no Oriente Médio.

Maíra Telles

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