6ª queda seguida: Ibovespa recua com cenário externo e fiscal no país; Petrobras (PETR4) e Itaú (ITUB4) caem

O Ibovespa fechou em baixa de 0,34% aos 124.305,57 pontos nesta sexta-feira (17). Na semana, o índice acumulou perda de 2,87%. A máxima do dia chegou a 125.257,27 pontos e a mínima marcou 124.259,33 pontos.

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Com dois dos principais nomes em baixa no fechamento – Petrobras (PETR4) e Itaú (ITUB4) -, o Ibovespa hoje não escapou da sexta perda diária consecutiva, igualando em extensão a série entre 10 e 17 de abril. O revés no intervalo que ora chega ao fim, contudo, é o maior desde a semana entre 20 e 24 de março de 2023, quando o índice da B3 havia cedido 3,09%. Agora, o Ibovespa acumula perda de 3,00% em relação ao ponto em que estava na última sexta-feira, elevando a 7,36% o recuo no ano e colocando o de maio a 1,29% – tendo virado do positivo ao negativo no mês, na quarta-feira.

Nesta sexta-feira, o índice Bovespa buscou reduzir as perdas pressionado pela aversão ao risco devido à expectativa de juros altos nos EUA, após dados econômicos acima do esperado e a ata do Fed.

Nesta sexta, o índice da B3 operou de forma indecisa até o meio da tarde, quando passou a aprofundar as mínimas, em linha com piora do câmbio e na curva de juros doméstica. O nível de fechamento desta sexta-feira foi o menor desde 18 de abril, e é também o terceiro entre os mais baixos do ano – agora mais perto do piso de 2024, de 124.171,15.

O desempenho desta sexta-feira refletiu tanto a moderação, inclusive de fluxo, que antecede um pregão de segunda-feira que não contará com a referência dos Estados Unidos, em feriado, como também sinais domésticos desfavoráveis, com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, manifestando nesta sexta, em evento no Rio, cautela sobre as expectativas de inflação: uma combinação que não induziu apetite por risco na B3 nesta véspera de fim de semana, apesar do avanço observado em Nova York.

A Petrobras (PETR4) esteve em foco com a aprovação do conselho ao nome de Magda Chambriard para o conselho e a presidência da estatal, com início do mandato hoje. O mercado reage à decisão, enquanto investidores estrangeiros organizam a convocação de uma assembleia geral.

Das principais ações do Ibovespa, a Petrobras (PETR4) fechou sessão com as ações preferenciais em queda de 0,54%, cotadas a R$ 36,61. Já as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) também tiveram queda de 0,34%, a R$ 38,31.  No sentido oposto, a Vale (VALE3) registrou alta de 0,046%, cotada a R$ 65,08.

A semana foi negativa para a maioria dos papéis que compõem o Ibovespa. O Itaú, que teve queda de 0,96% no dia, perdeu 4,15% no intervalo. Na semana, Petrobras PETR4 caiu 0,22% e a PETR3 cedeu 0,67%. A Vale, que lutou e conseguiu fechar em leve alta, recuou 1,66% na semana.

A maior alta do Ibovespa foi da Azul (AZUL4), que subiu 4,87%. A companhia foi seguida por Engie  (ENGI11) e CSN (CSNA3), que subiram 3,91% e 2,98%, respectivamente.

Já na ponta negativa, a maior desvalorização foi da Magazine Luiza (MGLU3), que recuou 5,63%. A empresa foi acompanhada por Suzano (SUZB3) e RD (RADL3), que caíram 3,41% e 2,73%, respectivamente.

Ibovespa: cautela

“Fechamento de semana no campo negativo, com o mercado ainda avesso a risco, mostrando cautela. Notícias sobre a inflação foram surgindo ao longo do dia, o que acabou pesando um pouco mais. Mercado ficou de olho no Campos Neto, com relação à inflação”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

No Brasil, as expectativas de inflação têm subido por diferentes motivos, uma notícia ruim para o Banco Central, afirmou Campos Neto. “A gente vê expectativa de inflação subindo bastante”, disse durante o seminário anual de política monetária, promovido pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas.

Segundo ele, diversos fatores explicam esse ajuste nas expectativas, entre os quais o cenário externo e as questões fiscais de natureza doméstica. “A gente está sempre discutindo os Estados Unidos, perguntando de onde virá a desinflação americana”, disse também Campos Neto.

Nesse contexto, dados da plataforma CME mostravam, nesta tarde, que o mercado está jogando um pouco mais para o fim do ano a expectativa pelo primeiro corte de juros do Federal Reserve, agora realocado para novembro nas projeções, o que se refletiu nos rendimentos dos títulos americanos mais curtos, nesta sexta-feira.

“Aqui, a sessão foi caracterizada por oscilação, mas sem movimentos tão expressivos. Dólar e juros, assim como a cotação do Ibovespa, também operaram ao longo do dia em ambos os sentidos. Mas o que prevaleceu ao fim foi queda na Bolsa, alta do dólar frente ao real e abertura na curva de juros doméstica”, diz Leticia Cosenza, sócia da Blue3 Investimentos.

Ante as incertezas externas e domésticas, o Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira mostra um quadro de maior equilíbrio nas expectativas para o desempenho das ações no curtíssimo prazo. Entre os participantes, a maioria de 44,44% prevê uma semana de ganhos para o Ibovespa e 22,22% esperam estabilidade. Para 33,33%, o índice terá perdas na semana que vem. No Termômetro anterior, uma esmagadora maioria de 85,71% esperava alta nesta semana e 14,29% viam variação neutra, sem repostas indicando baixa.

Em dia de queda no Ibovespa, Bolsas de NY fecham alta

As Bolsas de Valores dos Estados Unidos fecharam alta hoje:

  • S&P 500: +0,70%, aos 5.304,70 pontos;
  • Dow Jones: +0,01%, aos 39.069,20 pontos;
  • Nasdaq: +1,10%, aos 16.920,79 pontos.

As bolsas de valores da Ásia e Europa atuavam em linha hoje, com as perspectivas de um corte dos juros dos EUA demorar mais para acontecer puxando os indicadores para baixo.

Na Ásia, liderando as perdas, o índice Hang Seng caiu 1,38% em Hong Kong, a 18.608,94 pontos, enquanto o japonês Nikkei recuou 1,17% em Tóquio, a 38.646,11 pontos, o sul-coreano Kospi cedeu 1,26% em Seul, a 2.687,60 pontos, e o Taiex registrou modesta baixa de 0,19% em Taiwan, a 21.565,34 pontos.

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O dólar à vista fechou em alta de 0,27%, a R$ 5,1679, após oscilar entre R$ 5,1310 e R$ 5,1765. Na semana, moeda subiu 1,29%.

Maiores altas e quedas do Ibovespa hoje

Último fechamento

O Ibovespa encerrou ontem (23) em baixa de 0,73%, aos 124.729,40 pontos. 

Com Estadão Conteúdo

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Vinícius Alves

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