Ibovespa recua para acomodação após máximas históricas e aversão ao risco

Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira (7) em queda, em um movimento de acomodação após alcançar, na véspera, a região dos 163 mil pontos, o segundo maior nível de fechamento já registrado na B3. Em um dia marcado por maior aversão ao risco, o principal índice da Bolsa brasileira caiu 1,03%, aos 161.975,24 pontos, com volume financeiro de R$ 24,9 bilhões.

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O índice operou no campo negativo desde a abertura, aos 163.660,52 pontos, refletindo a cautela dos investidores à medida que se aproxima uma agenda mais carregada de indicadores ao longo da semana, especialmente na sexta-feira. Na mínima do dia, o Ibovespa chegou a 161.745,83 pontos. Ainda assim, o índice acumula alta de 0,89% na semana e avanço de 0,53% no ano.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o mercado doméstico foi influenciado principalmente por fatores internos. Rumores envolvendo o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Master aumentaram a incerteza e levaram o setor financeiro a realizar os lucros do pregão anterior, reforçando um ambiente mais defensivo.

Além disso, o mercado acompanhou com cautela os desdobramentos envolvendo a invasão americana à Venezuela e a sinalização de maior oferta de petróleo aos Estados Unidos. Para Marcos Vinícius Oliveira, economista e analista sênior da ZIIN Investimentos, esse cenário pressiona os preços das commodities e impacta principalmente as ações da Petrobras, diante da expectativa de aumento da oferta global no médio prazo.

Cotação do dólar hoje

O dólar operou pressionado pelo aumento da aversão ao risco no mercado local, em um dia em que os investidores evitaram posições mais direcionais. Segundo analistas, a realização de lucros no mercado acionário e as incertezas domésticas contribuíram para o movimento da moeda.

No exterior, os índices acionários de Nova York encerraram o dia sem direção única, refletindo a cautela antes da divulgação do payroll, na sexta-feira:

  • Dow Jones: -0,94%
  • S&P 500: variação moderada
  • Nasdaq: +0,16%

Os dados do relatório ADP mostraram a criação de 41 mil vagas em dezembro, abaixo das expectativas, reforçando a percepção de desaceleração do mercado de trabalho nos Estados Unidos, embora sem provocar movimentos mais fortes nos ativos.

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Altas e baixas do Ibovespa

O pregão foi marcado por desempenho negativo das ações ligadas a commodities e pelo ajuste no setor financeiro. As ações da Petrobras estiveram entre as mais pressionadas, refletindo tanto o cenário internacional do petróleo quanto o ambiente mais defensivo do mercado.

Para Gustavo Gomes, head de renda variável da AVIN, a Bolsa brasileira passou por um movimento natural de realização de lucros após os fortes ganhos acumulados em 2025, quando o Ibovespa avançou cerca de 34%. Segundo ele, o dia combinou pressão moderada sobre o câmbio, juros com menor inclinação nos vencimentos curtos e uma bolsa em ajuste de posições diante da maior aversão ao risco.

Com isso, após a sequência recente de altas, o Ibovespa recua nesta sessão como parte de um movimento de acomodação, enquanto investidores aguardam dados decisivos, como o payroll nos Estados Unidos e o IPCA de dezembro no Brasil, que devem ajudar a definir o tom dos mercados nos próximos pregões.

Com Estadão Conteúdo

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Maíra Telles

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