Ibovespa recua 1% com tensão no Oriente Médio e petróleo dispara; veja o que move o mercado
O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira (7), pressionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pela proximidade do prazo para um possível acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Em meio à escalada do conflito e à ausência de indicadores relevantes na agenda, o mercado global adota postura mais cautelosa, refletindo diretamente no principal índice da B3.
Por volta das 10h47, o índice caía 1,09%, aos 186.113,51 pontos, após ter aberto aos 188.162,35 pontos e rapidamente perder força, chegando à mínima na casa dos 186 mil pontos.
Ibovespa reage ao risco geopolítico e alta do petróleo
O ambiente de tensão ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que elevou o tom contra o Irã e reforçou a urgência de um acordo. Segundo ele, “uma civilização inteira morrerá esta noite”, destacando a gravidade do momento.
O mercado acompanha a reta final do prazo estipulado por Washington para que o Irã aceite um cessar-fogo e reabra o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, responsável por cerca de um quinto da produção global.
Nesse cenário, o petróleo dispara, com o Brent sendo negociado a US$ 110,68 e o WTI próximo de US$ 116 por barril, impulsionando as ações da Petrobras (PETR4), que avançam entre 0,45% e 0,67% e ajudam a conter uma queda mais acentuada do índice.
Segundo análise do Itaú Unibanco, um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz pode levar a commodity a níveis de até US$ 180 por barril em três meses, caso não haja normalização no fluxo global.
Vale sobe, bancos caem e mercado fica defensivo
Apesar do cenário negativo, as ações da Vale (VALE3) registram leve alta de 0,11%, mesmo com a queda de 0,44% do minério de ferro em Dalian, na China.
Já o setor bancário segue na ponta negativa do índice, com recuos superiores a 1,5%, refletindo o movimento de maior aversão a risco por parte dos investidores.
No total, apenas seis das 83 ações do Ibovespa operavam em alta no período, evidenciando um mercado amplamente pressionado.
Para o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, o cenário segue altamente sensível às declarações e aos desdobramentos do conflito. Segundo ele, “as falas foram pesadas. O recuo do Irã não aconteceu até agora. Acho que o país persa vai pagar para ver”, o que mantém o mercado em alerta.
Brasil acompanha cenário externo e discute medidas internas
No cenário doméstico, investidores também acompanham a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros no Palácio do Planalto para discutir o endividamento das famílias e medidas relacionadas aos preços de combustíveis.
O governo avalia alternativas para conter o avanço do diesel e do gás de cozinha, em meio à alta do petróleo no mercado internacional.
Ainda assim, o foco principal permanece no exterior, com os desdobramentos da guerra no Oriente Médio ditando o humor dos mercados nesta sessão.
Com esse pano de fundo, o Ibovespa segue sensível ao cenário global, com petróleo, geopolítica e fluxo internacional guiando o comportamento dos investidores.
Com Estadão Conteúdo