O Ibovespa retomou os 187 mil pontos nesta terça-feira (8) e fechou em alta de 1,20%, aos 187.367 pontos, em uma sessão marcada pelo aumento do apetite por risco doméstico e pela repercussão de novas pesquisas eleitorais. O índice chegou aos 189.488 pontos na máxima, mas perdeu parte do fôlego ao longo da tarde.
O principal gatilho veio novamente da corrida presidencial. Levantamentos recentes mostraram uma disputa mais apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, alimentando apostas em uma mudança na condução da política econômica e reduzindo o prêmio de risco dos ativos brasileiros.
Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, resume o movimento: “No Brasil, os DIs e o dólar avançam, enquanto a bolsa opera em alta, antecipando o rali eleitoral, que é o principal fator puxando o mercado hoje.”
Além disso, o Bank of America elevou a recomendação para ações brasileiras de neutra para overweight, reforçando o interesse por ativos locais. A instituição vê espaço para um ciclo mais profundo de cortes da Selic diante da desaceleração da atividade e de uma inflação mais baixa.
Petrobras (PETR4) e bancos ajudam o Ibovespa
As blue chips tiveram papel importante na alta. Petrobras (PETR3) avançou 2,36%, enquanto PETR4 subiu 2,08%, também sustentadas pela valorização do petróleo no exterior.
O Brent se aproximou novamente dos US$ 100 por barril diante das tensões no Oriente Médio. Nos Estados Unidos, o noticiário envolvendo ataques à infraestrutura energética na Arábia Saudita aumentou as preocupações com oferta e inflação.
A Vale (VALE3) ganhou 0,51%, enquanto os bancos também subiram em bloco. BTG Pactual (BPAC11) avançou 2,18%, Bradesco (BBDC4) teve alta de 1,79%, Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,22% e Banco do Brasil (BBAS3) avançou 0,36%.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: queda de 0,86%, a R$ 5,086.
A moeda brasileira se beneficiou da melhora na percepção sobre os ativos domésticos e da expectativa eleitoral, apesar de o ambiente externo seguir marcado por juros elevados e aumento das tensões geopolíticas.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre os maiores ganhos do pregão ficaram Cemig (CMIG4), +4,17%; MRV (MRVE3), +4,14%; Yduqs (YDUQ3), +3,84%; Localiza (RENT3), +3,63%; e Prio (PRIO3), +3,57%.
Bresciani destaca especialmente a construtora. “Entre os destaques, MRV aparece entre as maiores altas”, afirma.
Na ponta negativa, Motiva (MOTV3) caiu 2,98%, Azzas 2154 (AZZA3) recuou 2,83%, Minerva (BEEF3) perdeu 2,53%, Vivara (VIVA3) cedeu 1,04% e Hapvida (HAPV3) caiu 0,83%.
Fechamento das bolsas americanas
Wall Street encerrou a sessão no vermelho, pressionada principalmente pela disparada do petróleo e pelo consequente aumento das preocupações com a inflação.
- Dow Jones: -1,18%, aos 52.786,07 pontos
- S&P 500: -0,58%, aos 7.673,52 pontos
- Nasdaq: -0,32%, aos 26.421,41 pontos
O petróleo mais caro reforçou a preocupação de que o Federal Reserve possa manter uma postura mais dura na próxima decisão de juros, especialmente às vésperas dos dados de inflação dos Estados Unidos.
Bresciani também chama atenção para o contraste entre os mercados. “Na Europa, as bolsas fecharam em queda, enquanto nos Estados Unidos operam em baixa. O petróleo sobe levemente por conta das tensões envolvendo o Irã, e o minério de ferro avançou durante a noite. As Treasuries também sobem.”
Mesmo com a pressão externa, o Ibovespa voltou a se descolar de Wall Street e sustentou o movimento recente de valorização, ainda puxado principalmente pelo cenário eleitoral doméstico e pela busca por ativos brasileiros.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de sexta-feira (4), foi de 185.147,15 pontos, com queda de 0,02%.
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