Ibovespa cai 1,23% após Copom e tensão no exterior; Petrobras (PETR4) limita perdas
O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira (6) em forte queda, pressionado pela leitura mais cautelosa do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), pela abertura dos juros globais e pela nova escalada das tensões no Oriente Médio. O principal índice da B3 recuou 1,23%, aos 175.546,36 pontos, próximo da mínima de 175.514,86 pontos. Na máxima, alcançou 177.720,00 pontos.
Apesar do corte de 0,25 ponto percentual na Selic, investidores entenderam que o Banco Central não tem pressa para acelerar a flexibilização monetária. A alta do petróleo sustentou a Petrobras (PETR3; PETR4), mas não compensou as perdas disseminadas entre bancos e empresas mais sensíveis aos juros.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,107, beneficiado pela manutenção de um diferencial de juros elevado no Brasil e pela valorização do petróleo, que favorece os termos de troca do país.
Fechamento das bolsas americanas
- Dow Jones: queda de 0,85%, aos 53.885,10 pontos;
- S&P 500: baixa de 0,18%, aos 7.709,96 pontos;
- Nasdaq: recuo de 0,06%, aos 26.348,35 pontos.
Os índices americanos recuaram com a alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, em uma sessão marcada pela cautela antes dos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
Copom derruba ações sensíveis aos juros
O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, dando continuidade ao ciclo de cortes, mas o comunicado foi interpretado pelo mercado como mais firme em relação à inflação. O Banco Central manteve a necessidade de uma política monetária restritiva e não assumiu compromisso com uma nova redução em setembro.
Segundo Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a queda do Ibovespa no dia seguinte ao corte pode parecer contraditória, mas reflete justamente a redução das expectativas para novas flexibilizações. “O mercado achou o tom ligeiramente hawkish, tirou o corte futuro dos juros. E isso acaba derrubando principalmente os ativos que mais se beneficiam de uma trajetória de juros que de fato iria continuar acontecendo”, afirma.
Para o especialista, o comunicado ficou mais curto e objetivo do que o texto divulgado em junho, reduzindo ambiguidades, mas preservou a sinalização de cautela. A magnitude do ciclo dependerá agora dos próximos indicadores de inflação e atividade econômica.
Petróleo avança com tensão no Estreito de Ormuz
O petróleo Brent para outubro fechou em alta de 3,83%, a US$ 82,49 por barril, diante do aumento das tensões geopolíticas na região do Estreito de Ormuz e dos ataques dos houthis em rotas próximas ao Mar Vermelho.
O movimento favoreceu a Petrobras (PETR3; PETR4) e ajudou a limitar uma queda mais intensa do índice. A valorização da commodity, porém, também reacendeu as preocupações com a inflação global e com a possibilidade de juros elevados por mais tempo.
Gass destaca que o avanço do petróleo melhora os termos de troca brasileiros e ajuda a explicar a valorização do real. Ao mesmo tempo, a abertura dos Treasuries pressionou a ponta longa da curva de juros doméstica.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre os destaques positivos, Cyrela (CYRE3) avançou perto de 4%, em um movimento de recuperação após as perdas recentes. Axia Energia (AXIA3) também subiu após divulgar resultado considerado positivo, com crescimento do Ebitda e melhora da margem operacional.
Ultrapar (UGPA3), Santander Brasil (SANB11) e a Petrobras (PETR4) também figuraram no campo positivo, esta última apoiada pela alta do petróleo e pela expectativa em torno do balanço trimestral divulgado após o fechamento.
Na ponta negativa, Smart Fit (SMFT3) liderou as perdas, com queda superior a 7%, após o mercado reagir negativamente aos resultados do segundo trimestre. Brava Energia (BRAV3) e Auren Energia (AURE3) também recuaram após seus balanços.
Entre as ações de maior peso, o Bradesco (BBDC4) caiu mesmo depois de apresentar lucro de aproximadamente R$ 7 bilhões, resultado 16% maior na comparação anual. Segundo Gass, os números foram positivos, mas ficaram abaixo das expectativas mais elevadas já incorporadas às ações.
Na sexta-feira (7), o mercado acompanhará a divulgação do payroll dos Estados Unidos. O relatório poderá recalibrar as expectativas para os juros americanos e influenciar o comportamento do dólar, dos Treasuries e dos ativos de risco.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quarta-feira (5), foi de 177.726,17 pontos, com queda de 0,09%.