Ibovespa amplia sangria, fecha quinta semana no vermelho e vê estrangeiro bater em retirada

A sequência negativa do Ibovespa ganhou mais um capítulo nesta sexta-feira (15). O principal índice da B3 caiu 0,61%, aos 177.283,83 pontos, encerrando a quinta semana consecutiva no vermelho em meio à combinação de aversão ao risco global, retirada de capital estrangeiro e persistência das incertezas domésticas. No acumulado da semana, a perda chegou perto de 4%, aprofundando a correção desde as máximas históricas de abril.

O pregão começou pressionado e, na mínima do dia, o índice chegou aos 175.417,25 pontos, refletindo a cautela dos investidores diante da falta de solução para o conflito no Oriente Médio, das tensões entre Estados Unidos e China e da postura mais defensiva típica de sexta-feira. O giro financeiro somou R$ 32,2 bilhões, impulsionado pelo vencimento de opções sobre ações.

Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, resume que o mercado continua em modo de proteção. “O Ibovespa segue pressionado, com o DI e o dólar em alta, refletindo um ambiente de maior cautela no mercado. A bolsa voltou para a faixa dos 176 mil pontos, depois de ter chegado perto dos 190 mil entre março e abril, em um movimento de realização e aumento da aversão a risco.”

Cotação do dólar hoje

O dólar voltou a subir nesta sexta-feira, acompanhando o aumento da cautela global e doméstica, em mais uma sessão marcada pela busca por proteção diante das incertezas no radar.

Segundo Bresciani, o ambiente segue contaminado pela falta de direção mais clara no exterior. “O mercado continua sensível ao cenário externo, principalmente pela falta de definição em relação às tensões geopolíticas, o que mantém pressão sobre inflação, atividade econômica e apetite global por risco.”

Fechamento das bolsas americanas:

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  • Dow Jones: -0,37%
  • S&P 500: -0,22%
  • Nasdaq: -0,12%

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Apesar da sessão negativa, algumas ações conseguiram escapar da correção. Petrobras (PETR4) subiu acompanhando a alta do petróleo, enquanto Minerva (BEEF3) disparou após balanço considerado forte pelo mercado.

“Entre os destaques do dia, Petrobras sobe acompanhando a alta do petróleo, enquanto Vale recua mesmo com leve recuperação do minério”, afirma Bresciani.

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Maiores altas:

  • Minerva (BEEF3): +7,5%
  • Petrobras (PETR4): +2,0% (ON)
  • Prio (PRIO3): entre os destaques positivos do pregão

Maiores baixas:

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  • Usiminas (USIM5): -7%
  • Hapvida (HAPV3): -6%
  • Cosan (CSAN3): -5%

O investidor estrangeiro também segue reduzindo exposição. Até 13 de maio, a saída líquida da bolsa brasileira somava R$ 6,45 bilhões no mês, embora o saldo de 2026 ainda permaneça positivo, perto de R$ 50 bilhões.

Mesmo com o momento mais pressionado, Bresciani pondera que o movimento também muda a fotografia dos preços. “As quedas recentes voltam a deixar a bolsa brasileira mais atrativa em termos de valuation.” Ainda assim, com o Ibovespa acumulando cinco semanas seguidas de perdas, o mercado encerra a semana muito mais focado em proteção do que em retomada.

Maíra Telles

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