Pré-feriado azeda o humor: Ibovespa despenca mais de 2% e volta ao menor nível desde janeiro
.O Ibovespa devolveu com folga a recuperação da sessão anterior e encerrou o pregão desta quarta-feira (3) em forte queda. Em um dia marcado por realização de lucros, cautela com o cenário externo e esvaziamento de posições antes do feriado de Corpus Christi, o principal índice da B3 recuou 2,22%, aos 170.330,63 pontos, seu menor nível de fechamento desde 20 de janeiro.
O índice oscilou entre a máxima de 174.192,19 pontos, registrada na abertura, e a mínima de 170.007,55 pontos ao longo da tarde. O volume financeiro somou R$ 28,3 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumula queda de 1,99%, enquanto o ganho em 2026 foi reduzido para 5,71%.
Saída de estrangeiros volta a pressionar o Ibovespa
A queda ocorreu em um ambiente de maior aversão ao risco, tanto no Brasil quanto no exterior. Em Nova York, os investidores fizeram uma pausa após a sequência recente de recordes dos principais índices americanos, enquanto o mercado brasileiro continuou sofrendo com a saída de recursos estrangeiros.
Segundo Rubens Cittadin, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, o principal fator continua sendo o fluxo negativo para a bolsa brasileira.
“Não houve um gatilho específico, mas o que tem prevalecido desde o fim de abril é a saída de fluxo estrangeiro, com um cenário ainda de alta para o petróleo que afeta os juros futuros em todo o mundo e a perspectiva para a inflação global, com consequências também para a Selic”, afirmou.
Para Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, a retomada das discussões tarifárias nos Estados Unidos voltou a aumentar a cautela dos investidores.
“A piora do Ibovespa desde o fim da manhã decorre de uma cautela maior ainda em torno da retomada da questão tarifária”, destacou.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: desempenho misto ao longo do pregão
- Mercado acompanhou a cautela global
- Investidores monitoraram as negociações comerciais dos Estados Unidos
- Payroll americano segue no radar para sexta-feira
O mercado também continuou atento aos desdobramentos das tensões comerciais e à divulgação dos dados do mercado de trabalho americano, que podem alterar as expectativas para os juros nos Estados Unidos.
Maiores altas e baixas
O pré-feriado foi amplamente negativo para os principais setores da bolsa brasileira. Vale, bancos e construtoras lideraram o movimento de realização, enquanto Petrobras também perdeu força ao longo da tarde.
Entre os destaques negativos ficaram:
- Vale (VALE3): -3,78%
- Santander (SANB11): -2,34%
- Itaú Unibanco (ITUB4): -2,12%
- Petrobras (PETR3): -1,12%
- Petrobras (PETR4): -0,77%
A forte queda da Vale teve peso relevante sobre o índice, enquanto os bancos ampliaram as perdas e pressionaram o desempenho da bolsa como um todo.
Nos Estados Unidos, o movimento foi mais moderado, com os investidores reduzindo posições após uma sequência de máximas históricas em Wall Street. Já no Brasil, o pré-feriado aumentou a cautela dos investidores, que preferiram reduzir exposição diante das incertezas envolvendo juros globais, tarifas americanas e fluxo estrangeiro. Com isso, o Ibovespa voltou a encostar nos 170 mil pontos e encerrou a sessão no menor nível desde janeiro.
Com Estadão Conteúdo