Ibovespa cai 2,55% e volta a encostar nos 179 mil pontos com petróleo e inflação pressionando
O Ibovespa perdeu força nesta quinta-feira (12) e devolveu parte da recuperação observada ao longo da semana. Após três sessões de alta, o índice voltou a entrar em correção e fechou o pregão em queda de 2,55%, aos 179.284,49 pontos, registrando a maior perda diária desde 5 de março.
O pregão foi marcado por forte volatilidade. O índice chegou a tocar a máxima de 183.991 pontos, praticamente no nível de abertura, mas perdeu força ao longo da sessão e mergulhou até a mínima de 178.494 pontos.
O movimento refletiu principalmente a nova disparada do petróleo no mercado internacional e a surpresa negativa com a inflação brasileira.
Com o desempenho desta sessão, o Ibovespa passa a acumular queda de 5,03% em março, enquanto no ano ainda registra alta de 11,27%.
Cotação do dólar hoje
O dólar ganhou força diante da aversão global ao risco e fechou em alta de 1,61%, a R$ 5,2423.
Nos Estados Unidos, os principais índices encerraram o pregão em queda, com destaque para o Nasdaq, que registrou o pior desempenho do dia:
• Dow Jones: -1,56%
• S&P 500: -1,52%
• Nasdaq: -1,78%
Maiores altas e baixas
Entre as blue chips, apenas Petrobras (PETR3; PETR4) conseguiu escapar do tom negativo do pregão, acompanhando a nova disparada do petróleo. As ações PETR3 subiram 1,45%, enquanto PETR4 avançou 0,45%.
Segundo Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCI Advisors, a escalada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar os preços da commodity.
“A escalada das tensões fez o preço do petróleo disparar novamente, com o barril do Brent voltando a superar hoje a marca de US$ 100”, afirma.
Entre os destaques positivos do índice também apareceram SLC Agrícola (SLCE3), BRF (BRFS3) e Braskem (BRKM5).
Na outra ponta, o pregão foi marcado por quedas expressivas em diversas empresas. CSN (CSNA3) despencou 14,45%após divulgar o balanço do quarto trimestre, enquanto Yduqs (YDUQ3) caiu 14,83% e Embraer (EMBR3) recuou 11,01%.
Entre os bancos, o setor também pressionou o índice, com perdas que chegaram a 4,44% em Santander (SANB11).
Inflação pressiona expectativas de juros
Além do petróleo, a divulgação do IPCA de fevereiro também influenciou o humor dos investidores.
O índice de inflação subiu 0,70%, acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,63%.
Segundo Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, o dado elevou a cautela dos investidores.
“Com petróleo no nível em que está e a inflação doméstica surpreendendo negativamente, o mercado passa a projetar um início mais cauteloso para o ciclo de cortes da Selic”, afirma.
Com isso, parte do mercado já considera que o Copom, na reunião da próxima semana, pode iniciar o ciclo de cortes com redução de apenas 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros.
Com Estadão Conteúdo