Ibovespa perde tração, cai aos 191 mil e amplia correção com pressão externa

Nesta quinta-feira, 23 de abril, o Ibovespa voltou a recuar e aprofundou o movimento de correção recente, encerrando em queda de 0,78%, aos 191.378,43 pontos, no menor nível desde o início do mês. O dia foi marcado por deterioração do ambiente externo ao longo da tarde, que acabou anulando tentativas de recuperação vistas no início do pregão.

O movimento amplia as perdas da semana para 2,23% e reforça a mudança de direção após o rali recente, que levou o índice a flertar com os 200 mil pontos. Desde a máxima histórica de 14 de abril, o mercado acumula cinco quedas em seis sessões, indicando um ajuste mais consistente de curto prazo.

Correção do Ibovespa reflete mudança de humor global

A sessão foi marcada por uma correção disseminada entre os principais setores da bolsa brasileira, com destaque para o desempenho negativo de bancos e empresas ligadas ao ciclo doméstico, mais sensíveis ao comportamento dos juros.

O avanço recente da curva de juros e a volta da cautela global reduziram o apetite por risco, pressionando especialmente ações que haviam liderado o movimento de alta nas semanas anteriores.

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João Ferreira, sócio da One Investimentos, observa que o mercado passou rapidamente de um cenário de euforia para um movimento de realização. Segundo ele, a queda recente não altera o pano de fundo mais estrutural, que ainda favorece o Brasil diante de outros emergentes, especialmente pelo fluxo estrangeiro e pela atratividade relativa dos ativos locais.

Ainda assim, o curto prazo passou a ser dominado por ajustes, com o índice oscilando cerca de 8 mil pontos desde a máxima recente.

Cotação do dólar hoje

O dólar voltou a subir e superou novamente o patamar de R$ 5,00, refletindo o aumento da aversão a risco no cenário internacional.

De acordo com Bruno Shahini, da Nomad, o movimento foi impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio, que elevou o prêmio de risco global e levou investidores a recompor posições defensivas. A alta do petróleo e a abertura das Treasuries reforçaram esse movimento, fortalecendo a moeda americana.

No exterior, a piora no humor ao longo da tarde também ficou evidente nas bolsas:

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  • Dow Jones: -0,36%
  • S&P 500: -0,41%
  • Nasdaq: -0,89%

A virada negativa em Nova York contribuiu diretamente para a pressão sobre ativos de risco, incluindo o mercado brasileiro.

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Geopolítica trava o mercado — e limita o Ibovespa

O cenário geopolítico segue como principal vetor para os mercados. A percepção de que o cessar-fogo no Oriente Médio está fragilizado voltou a ganhar força, reduzindo a confiança dos investidores.

Segundo Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil, a correção se intensificou após declarações indicando que as negociações não avançaram e que os confrontos podem ser retomados a qualquer momento.

Esse ambiente mantém o petróleo pressionado, sustenta o dólar e limita o apetite por risco global — fatores que ajudam a explicar a sequência recente de perdas na bolsa brasileira.

No fim da sessão, o tom voltou a endurecer, com a sinalização de que uma solução diplomática ainda parece distante, o que reforça a cautela no curto prazo.

Nesse contexto, o Ibovespa entra em uma fase mais clara de ajuste após o rali recente, em um movimento que, como resume Shahini, reflete a recomposição de posições defensivas diante de um ambiente global mais incerto.

Maíra Telles

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