Ibovespa fecha em alta e tem segundo maior fechamento da história, apesar de Petrobras (PETR4)
O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira (6) em forte alta, registrando um dos níveis mais elevados de sua história, mesmo com o desempenho negativo das ações da Petrobras (PETR4). O principal índice da B3 avançou 1,11%, aos 163.663,88 pontos, após tocar 164.135,03 pontos no melhor momento da sessão, com volume financeiro de R$ 24,8 bilhões.
Desde a abertura, aos 161.869,76 pontos, o índice operou em terreno positivo, sustentado principalmente pela forte valorização das ações da Vale e pelo desempenho favorável de grandes bancos. Com o resultado, o Ibovespa acumula ganho de 1,58% nas três primeiras sessões de 2026 e avanço de 1,95% na semana.
Este foi o segundo maior fechamento da história do Ibovespa, superado apenas pelo encerramento de 4 de dezembro, quando o índice chegou a 164.455,61 pontos, na véspera do anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.
Vale impulsiona índice e renova máxima intradia
O desempenho do índice na sessão foi fortemente condicionado pelo peso da Vale na carteira. As ações ON da mineradora avançaram 3,76%, impulsionando o Ibovespa e atingindo R$ 75,88 na máxima do dia, o maior nível intradia desde 2007, no último desdobramento promovido pela companhia.
Além da Vale, o setor financeiro teve um dia majoritariamente positivo. As ações do Banco do Brasil ON subiram 1,10%, enquanto o Itaú PN avançou 0,60%, contribuindo para sustentar a alta do índice em um pregão sem um gatilho macroeconômico específico.
Para Patrick Buss, operador de renda variável da Manchester Investimentos, o movimento reflete a proximidade de um ciclo de afrouxamento monetário no Brasil. Segundo ele, à medida que o mercado se aproxima de março, as correções tendem a ocorrer para cima, diante da expectativa de cortes de juros.
Petrobras recua com questões operacionais e petróleo em queda
Na contramão do mercado, as ações da Petrobras recuaram novamente. A ON caiu 1,92%, enquanto a PN recuou 1,85%, pressionadas por problemas operacionais e pelo recuo dos preços do petróleo em Londres e Nova York.
Segundo Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, no longo prazo, a possibilidade de ingresso de empresas americanas na Venezuela representa um fator de pressão sobre margens, dado o potencial aumento da oferta global. No curto prazo, porém, pesaram problemas operacionais na Margem Equatorial, confirmados oficialmente pela companhia.
De acordo com Pedro Galdi, da AGF, houve perda de fluido de perfuração em linhas auxiliares da sonda ODN II, que explora o poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas. A retomada da perfuração deve levar cerca de 15 dias, segundo fontes da empresa.
Altas, baixas e cautela no radar
Além da Petrobras, figuraram entre as maiores baixas da sessão Vivara (-3,19%), Direcional (-1,81%) e Raízen (-1,22%). No lado positivo, os destaques foram Hapvida (+8,70%), Assaí (+5,62%), Braskem (+5,13%) e Usiminas (+4,06%).
Apesar do início de ano positivo, Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, avalia que a cautela tende a se impor nas próximas sessões, diante da divulgação de dados relevantes, como o payroll nos Estados Unidos e o IPCA no Brasil. Segundo ele, especialmente o IPCA será central para as expectativas sobre a trajetória da Selic. Assim, mesmo com a força recente, o Ibovespa segue atento aos próximos indicadores que podem definir o ritmo do mercado no curto prazo.
Com Estadão Conteúdo