GPA (PCAR3) vende ativo à RD Saúde (RADL3) em meio à reestruturação; entenda o movimento

O GPA (PCAR3) deu mais um passo em sua estratégia de simplificação operacional enquanto tenta reorganizar as finanças. A companhia vendeu sua participação de 66,7% na Stix Fidelidade para a RD Saúde (RADL3) por R$ 23 milhões, operação que transfere o controle integral da plataforma para a dona da Raia Drogasil e reforça o movimento do varejista alimentar de monetizar ativos não estratégicos em meio ao processo de recuperação extrajudicial.

Embora o valor da transação seja modesto diante do tamanho da estrutura financeira do GPA, o movimento sinaliza foco maior na desalavancagem e reorganização do negócio.

GPA (PCAR3) vende participação na Stix

A RD Saúde informou, em comunicado ao mercado, que adquiriu a fatia direta de 66,67% do capital social da Stix, passando a deter 100% da plataforma de fidelidade.

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O pagamento será realizado em duas etapas: R$ 2,3 milhões na assinatura do contrato e R$ 20,7 milhões no fechamento da operação, que ainda depende de aprovação do Cade e do cumprimento de condições precedentes.

Criada para atuar como plataforma de fidelidade em formato de coalizão, a Stix permite acúmulo, comercialização e resgate de pontos entre diferentes parceiros.

Apesar da venda, GPA e RD Saúde acordaram a manutenção do GPA dentro do ecossistema Stix, preservando benefícios atualmente oferecidos aos clientes.

Valor chama atenção, mas racional é estratégico

Para Edson Kawabata, sócio-diretor da Peers Consulting + Technology, o ponto principal da transação não está no valor financeiro em si.“A recente venda de participação majoritária na Stix para a RD representa mais um passo na superação do difícil momento de enfrentamento na recuperação extrajudicial do GPA, buscando simplificação, foco e monetização de ativos não estratégicos”, afirma.

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Segundo o especialista, “os R$ 23 milhões são quase imateriais frente ao porte da Stix, com faturamento estimado em mais de R$ 500 milhões, e ao tamanho da dívida bruta do GPA, de mais de R$ 4 bilhões”.

Na avaliação dele, vender a participação para a própria parceira na joint venture ajuda a reduzir impactos operacionais.

“Ao vender tal participação para um sócio na JV, o GPA consegue preservar benefícios para si e associados do programa, minimizando impactos negativos para a operação”, acrescenta.

Para a RD Saúde, a operação amplia controle sobre uma plataforma já considerada estratégica para relacionamento com consumidores. Já para o GPA (PCAR3), o movimento reforça a prioridade atual de simplificação da estrutura e monetização seletiva de ativos, ainda que com impacto financeiro limitado no curto prazo.

Maíra Telles

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