Fundos multimercados superam CDI e sinalizam volta do apetite por risco
Depois de um longo período de fraco desempenho e forte saída de recursos, os fundos multimercados deram sinais mais consistentes de recuperação em 2025. Mesmo com resgates ainda presentes ao longo do ano, a classe conseguiu encerrar o período com rentabilidade média superior ao CDI, apoiada principalmente em apostas na queda dos juros e na valorização da Bolsa brasileira.
Dados da Anbima mostram que o índice IHFA, que acompanha o desempenho dos fundos multimercados, acumulou ganho próximo de 15% em 2025, superando a taxa básica de juros pela primeira vez desde 2022. O resultado marca uma inflexão importante para uma classe que vinha sendo penalizada pelo ciclo prolongado de taxas elevadas.
O que impulsionou os resultados?
O avanço dos multimercados em 2025 esteve diretamente ligado à melhora do ambiente macroeconômico. A perspectiva de cortes de juros no Brasil, combinada ao forte desempenho do Ibovespa e à entrada de fluxo estrangeiro no mercado acionário, abriu espaço para que gestores explorassem posições direcionais e estratégias mais sofisticadas.
Apostas na inclinação da curva de juros, posições aplicadas em vértices médios e longos e exposição ao mercado acionário doméstico passaram a contribuir de forma mais consistente para a geração de retorno.
Gestoras de destaque
Nesse contexto, casas como AZ Quest e Fator Asset ajudam a ilustrar como os multimercados voltaram a entregar resultado mesmo em um ambiente ainda desafiador do ponto de vista de fluxo.
Os fundos multimercado da AZ Quest se beneficiaram da combinação entre leitura macro e seleção cuidadosa de ativos. A gestora manteve posições que capturaram a reprecificação dos juros ao longo do ano e ampliou gradualmente a exposição a ativos de risco à medida que o cenário se tornava mais construtivo.
Em cartas mensais, a casa destacou que a volatilidade foi essencial para a geração de oportunidades, sobretudo em estratégias que exploram assimetrias entre preços de mercado e fundamentos econômicos.
Já a Fator adotou uma postura ativa na gestão de risco, combinando posições em juros, Bolsa e estratégias de valor relativo. A gestora destacou, ao longo do ano, a importância da diversificação entre diferentes fontes de retorno e da flexibilidade para ajustar o portfólio diante das mudanças no cenário macro. Essa abordagem permitiu capturar movimentos relevantes tanto na renda variável quanto na renda fixa, contribuindo para o desempenho dos fundos multimercados da casa.
Expectativas para 2026
Olhando para 2026, a expectativa é de que o avanço do ciclo de afrouxamento monetário no Brasil e um ambiente externo menos restritivo ampliem o espaço para estratégias multimercados. Gestores destacam que a classe deve se beneficiar de um cenário mais favorável à tomada de risco, ainda que de forma gradual e seletiva.
Para casas como AZ Quest e Fator, o desafio será seguir entregando consistência em um ambiente que tende a se tornar mais competitivo, mas que ainda oferece oportunidades relevantes em juros, Bolsa e operações de valor relativo. Se o cenário macro confirmar as expectativas, os fundos multimercado podem voltar a ocupar um papel estratégico nas carteiras dos investidores em 2026, não apenas como instrumento de diversificação, mas como vetor efetivo de geração de retorno real.