Inflação não dá trégua: Focus eleva IPCA pela nona semana consecutiva
O Boletim Focus desta segunda-feira (11) mostrou nova piora das expectativas para a inflação em 2026. A mediana do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a subir e já acumula nove semanas consecutivas de alta, em meio às incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio e pela disparada recente do petróleo.
A mediana do Focus para o IPCA de 2026 passou de 4,89% para 4,91%, segundo o relatório divulgado pelo Banco Central . O indicador segue acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária, de 4,50%, reforçando a deterioração das expectativas inflacionárias nas últimas semanas.
Considerando apenas as 58 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis — mais sensíveis a mudanças recentes — a mediana avançou de 4,91% para 4,95%, indicando que o mercado segue revisando o cenário inflacionário para cima.
Para 2027, a estimativa permaneceu em 4,00%, mesmo nível da semana anterior. Há um mês, a projeção era de 3,91%. Já para 2028, a expectativa continuou em 3,64%, enquanto para 2029 permaneceu em 3,50%.
A trajetória projetada pelo mercado continua acima da esperada pelo Banco Central. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou sua estimativa para o IPCA de 2026 de 3,9% para 4,6%. Para 2027 — horizonte relevante da política monetária — a projeção passou de 3,3% para 3,5%.
Na ata mais recente, o Copom afirmou que as expectativas de inflação “subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”. O colegiado também destacou uma “desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos”.
Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, baseada no IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Caso o índice permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central descumpriu o objetivo.
Boletim Focus: Selic segue em 13% e mercado mantém cautela
No campo dos juros, a mediana do Focus para a Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,00% pela terceira semana consecutiva. Considerando apenas as estimativas mais recentes, a projeção avançou de 13,00% para 13,25%, indicando maior cautela do mercado em relação ao ciclo de cortes.
Para 2027, a expectativa subiu de 11,00% para 11,25%. Já para 2028 e 2029, as projeções permaneceram em 10,00%.
Na atividade econômica, a mediana do Focus para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 continuou em 1,85%. Entre as projeções mais recentes, no entanto, a expectativa subiu de 1,85% para 1,90%.
O crescimento esperado pelo mercado segue acima da estimativa do Banco Central, que projeta alta de 1,6% para a economia brasileira em 2026. O Ministério da Fazenda, por sua vez, espera expansão de 2,33%.
Para 2027, a projeção do PIB passou de 1,75% para 1,76%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%.
No câmbio, a mediana do Focus para o dólar ao fim de 2026 caiu de R$ 5,25 para R$ 5,20. Para 2027, a estimativa permaneceu em R$ 5,30, enquanto para 2028 houve recuo de R$ 5,39 para R$ 5,35. Já para 2029, a projeção seguiu em R$ 5,45.