Economia ganha fôlego no fim de 2025, mas analistas do BTG alertam: juros ainda seguram o ritmo

economia brasileira terminou 2025 com um pouco mais de força do que o esperado, mas entrou em 2026 carregando um recado incômodo para o investidor: o crescimento veio, só que os juros continuam no centro do jogo. Essa é a leitura do BTG Pactual em seu relatório “Brasil Visão Macro”, divulgado em 27 de fevereiro, ao revisar o PIB do ano passado e manter projeções de inflação acima do consenso em parte do mercado.

No documento assinado por Mansueto Almeida, economista-chefe, e pela equipe de pesquisa macro do banco, o BTG aponta que a expansão do crédito e o avanço da renda ajudaram a sustentar o consumo no fim do ano, o que levou a uma revisão do número cheio. “Impulsionado por expansão de crédito e crescimento dos salários, consumo se mostra mais forte no final do ano e nos leva a revisar o crescimento do PIB de 2,2% para 2,3%”, escreveu o time do banco.

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Juros altos seguem no caminho da economia

Apesar do ajuste para cima no PIB, o BTG reforça que a política monetária segue restritiva, com impacto maior justamente nos setores mais sensíveis ao ciclo. O relatório descreve que a calibragem dos juros tem funcionado como contrapeso de estímulos e ruídos, mantendo a atividade sob controle.

Na visão da casa, a dinâmica do crédito vira o grande “fiel da balança” de curto prazo. O banco chama atenção para a instabilidade dos indicadores de inadimplência, que pode atrapalhar a tração do consumo no começo de 2026. Ainda assim, o BTG aponta viés de alta para o consumo no curto prazo, citando reaceleração do crédito como fator relevante.

No quadro de projeções, o BTG manteve as estimativas para 2026 em PIB de 1,7% e IPCA de 4,1%, com Selic em 12,0% e câmbio em R$ 5,20. Para 2027, o banco projeta PIB de 1,5% e IPCA de 3,8%, com Selic em 10,5% e dólar a R$ 5,10.

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Tarifaço nos EUA e cenário externo entram na conta

Além do Brasil, o relatório chama atenção para o ambiente internacional, que segue como fonte de volatilidade. O BTG destacou que a Suprema Corte dos EUA declarou ilegais alíquotas discriminatórias de importação criadas sob justificativa de segurança nacional, mas ponderou que o Executivo respondeu elevando tarifas de forma generalizada, mantendo o tema como risco para preços e cadeias globais.

Para o investidor, o recado é que o cenário externo pode mexer com câmbio, curva de juros e apetite por risco, justamente quando a economia doméstica tenta sustentar crescimento com custo de capital ainda alto e inflação de serviços resiliente, ponto que o BTG cita ao afirmar que os fundamentos ainda apontam para “resiliência da inflação de serviços”.

No fim, a leitura do banco é de ajuste fino: o PIB melhorou, mas a travessia de 2026 continua exigindo atenção aos dados de crédito, inflação e juros, porque é ali que a economia pode ganhar ou perder ritmo.

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Maíra Telles

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