DIVD11 ou NDIV11: entenda as diferenças entre os ETFs que pagam dividendos
Os ETFs voltados para empresas pagadoras de dividendos têm ganhado espaço entre os investidores brasileiros que buscam praticidade, diversificação e uma fonte recorrente de renda. Entre as alternativas disponíveis na B3, dois produtos chamam atenção: o DIVD11, da Itaú Asset, e o NDIV11, da Nu Asset.
Embora ambos tenham como proposta investir em ações conhecidas pela distribuição de proventos e repassar esses rendimentos mensalmente aos cotistas, existem diferenças importantes na forma como cada fundo seleciona os ativos que compõem suas carteiras.
Entender essas particularidades pode ajudar o investidor a escolher a estratégia mais alinhada ao seu perfil e aos seus objetivos financeiros.
O que são DIVD11 e NDIV11?
Tanto o DIVD11 quanto o NDIV11 são ETFs (fundos de índice) negociados na B3 que permitem ao investidor acessar uma carteira diversificada de ações pagadoras de dividendos por meio da compra de uma única cota.
Além da praticidade do investimento indexado, os dois produtos têm outra característica que costuma chamar a atenção dos investidores: a distribuição mensal de proventos. Em vez de reinvestir automaticamente os dividendos recebidos das empresas investidas, esses ETFs realizam pagamentos periódicos aos cotistas.
As cotas dos dois fundos são negociadas na bolsa por valores acessíveis, em uma faixa entre R$ 50 e R$ 120, o que permite que investidores iniciantes tenham acesso a uma estratégia diversificada sem a necessidade de adquirir individualmente dezenas de ações.
Apesar dessas semelhanças, as metodologias adotadas por cada ETF são diferentes.
DIVD11: exposição ao tradicional índice de dividendos da B3
Lançado pela Itaú Asset, o DIVD11 tem como objetivo refletir a performance do IDIV, o Índice de Dividendos da B3, antes da incidência de taxas e despesas.
O IDIV é um índice teórico calculado pela própria B3 e composto por ações e units que se destacam pelo pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio.
Segundo a política de investimento do fundo, o DIVD11 deve investir, no mínimo, 95% de seu patrimônio nas ações que compõem a carteira teórica do IDIV ou em posições compradas no mercado futuro do índice, de forma a reproduzir sua rentabilidade. Os 5% restantes podem ser direcionados a outros investimentos permitidos pelo regulamento.
Entre os principais atrativos do produto, a gestora destaca a eficiência do investimento indexado, a diversificação proporcionada pelo acesso a mais de 45 empresas e a distribuição recorrente de proventos.
NDIV11 aposta em consistência na distribuição de dividendos
Já o NDIV11, da Nu Asset, busca replicar o desempenho do Ibov Smart Dividendos antes das taxas e despesas.
Esse também é um índice da B3 focado em proventos, mas a principal diferença em relação ao IDIV está no universo de empresas e nos critérios de seleção: o IDIV considera todas as ações da bolsa que mais pagam proventos, enquanto o Ibov Smart Dividendos filtra apenas as empresas que já compõem o Ibovespa e exige um histórico de pagamento de dividendos por pelo menos 6 anos.
A gestora destaca ainda que o fundo oferece maior previsibilidade no fluxo de caixa ao investidor. Enquanto as empresas distribuem dividendos em datas diferentes ao longo do ano, o NDIV11 anuncia os valores a serem pagos até o quinto dia útil de cada mês e realiza a distribuição aos cotistas no décimo dia útil.
DIVD11 x NDIV11: quais são as principais diferenças?
Embora ambos tenham foco em dividendos e realizem pagamentos mensais, os ETFs adotam filosofias distintas na construção de suas carteiras.
O DIVD11 acompanha o IDIV, índice tradicional da B3 voltado para empresas com forte histórico de distribuição de proventos. Já o NDIV11 utiliza uma abordagem conhecida como smart beta, adicionando filtros relacionados à consistência dos dividendos e à qualidade financeira das companhias selecionadas.
Confira as principais diferenças entre os produtos:
| Característica | DIVD11 | NDIV11 |
|---|---|---|
| Gestora | Itaú Asset | Nu Asset |
| Índice de referência | IDIV (B3) | Ibov Smart Dividendos |
| Universo de seleção | Empresas elegíveis ao IDIV | Empresas do Ibovespa |
| Critério principal | Empresas presentes no índice tradicional de dividendos da B3 | Histórico consistente de dividendos nos últimos seis anos |
| Investimento mínimo em ativos-alvo | 95% do patrimônio | 95% do patrimônio |
| Distribuição de proventos | Mensal | Mensal |
| Comunicação dos dividendos | Pagamento no 10º dia útil | Anúncio no 5º dia útil e pagamento no 10º dia útil |
O que o investidor deve observar antes de investir?
Apesar do apelo da renda recorrente, especialistas costumam destacar que dividendos não devem ser o único fator considerado na escolha de um investimento.
Ao analisar ETFs de dividendos, é importante avaliar aspectos como a metodologia do índice, a composição da carteira, os custos envolvidos, o nível de diversificação e o alinhamento da estratégia aos objetivos pessoais do investidor.
Também vale lembrar que o histórico de distribuição de dividendos não representa garantia de pagamentos futuros, uma vez que os resultados das empresas podem variar ao longo do tempo.
Portanto, embora DIVD11 e NDIV11 compartilhem características como diversificação e distribuição mensal de rendimentos, as diferenças nos critérios de seleção das ações fazem com que cada produto represente uma estratégia própria dentro do universo dos investimentos indexados.