Cosan (CSAN3): Em carta, empresa defende ‘retorno e ESG’ em compra de fatia da Vale (VALE3)

A Cosan (CSAN3), que adquiriu 4,9% de participação societária na Vale (VALE3), faz novos esforços para defender a transação aos acionistas, após as ações da empresa caírem cerca de 10% desde o dia 7 de outubro, quando a compra foi anunciada.

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Segundo o documento, o ESG é um ‘tema muito caro à Cosan’ e foi justamente o motivo de a companhia a redigir a carta.

A tese é de que a Vale mudou com os acontecimentos dos últimos anos, e cumpre com os propósitos ESG no momento atual.

O documento da empresa de Rubens Ometto diz que a mineradora “está executando a nova estratégia, reparando o passado e caminhando na direção correta”.

“(…) a Vale, como acionista da Samarco, lidava com as consequências do desastre de Mariana e logo em seguida Brumadinho aconteceu. As duas tragédias trouxeram duras lições à Vale. E a empresa reagiu com mudanças na administração, na cultura corporativa, dando maior ênfase em pessoas e segurança, e na governança, com a entrada no novo mercado na B3 como a maior corporation do Brasil. Tudo na direção de redução de riscos, estabilização das operações e avanços nos compromissos para uma mineração mais sustentável”, diz a companhia.

Além disso, a Carta da Cosan diz que a empresa, ao longo dos últimos 15 anos, fez ‘movimentos e aquisições ousadas, que também, incialmente, não foram compreendidas’.

No documento, defende que a compra de participação na Vale será positiva para a companhia e responde aos questionamentos dos investidores.

Segundo a administração, desde que a transação foi anunciada o mercado tem feito perguntas sobre:

  • O que levou a companhia a fazer a compra
  • O impacto financeiro, dado o endividamento da Cosan
  • Como ficam os compromissos ESG da empresa, especialmente sobre segurança no trabalho e transição energética

Ao longo da carta da Cosan, é citado que a Vale tem feito mudanças relevantes na governança e é ‘uma empresa-chave para a transição energética global e descarbonização’.

Além disso, a companhia destaca que outras compras sofreram o mesmo processo de desconfiança pelos investidores no passado, como a compra da Essso (2008), a incorporação da Nova América (2009) e a formação da Raízen (RAIZ4) com a Shell (2011).

A empresa cita que ‘de 2012 a 2022, o valor do portfólio cresceu mais de 5 vezes’, justificando os movimentos de fusões e aquisições feitos.

“Nossa capacidade e disciplina de execução foram testadas nesses momentos de mudança e nossa performance vem demostrando uma consistente criação de valor para todos nossos stakeholders”, diz a carta.

Leia na íntegra a carta da Cosan

“Desde o anúncio da aquisição de uma participação minoritária na Vale S.A., temos recebido diversos questionamentos do mercado em relação (i) ao racional que motivou tal decisão, (ii) ao impacto da estrutura financeira sobre o endividamento da Cosan, (iii) aos nossos compromissos com questões ESG, especificamente no que tange à transição energética

Buscamos apresentar ao mercado, por meio de conferências públicas e documentos disponibilizados em nosso site, nosso racional para a operação e seu impacto financeiro. As publicações sobre a transação, bem como interações recentes, demonstram que o mercado entendeu o porquê da operação e a mecânica dos instrumentos financeiros utilizados.

O terceiro ponto, ligado à ESG, tema que nos é muito caro, nos motivou a escrever esta carta.

Durante os últimos 15 anos, a Cosan passou por uma completa transformação. De uma empresa produtora de açúcar e álcool, com uma estrutura societária complexa, para um grupo de companhias abertas de recursos naturais com contínua melhora na governança e transparência, mantendo seu DNA empreendedor de controlador único.

Nesse período, fizemos movimentos e aquisições ousadas, que também, incialmente, não foram compreendidas. Sempre buscamos ouvir com atenção o mercado e explicar onde queríamos chegar, ainda que o caminho até nosso objetivo fosse longo ou desafiador.

A compra da Esso, em 2008, ocasionou queda nas nossas ações, dado o momento macroeconômico e a dívida assumida em um negócio completamente novo para a Cosan. Em 2009, a incorporação da Nova América, incialmente trouxe dúvidas em função do passivo financeiro assumido.

A formação da Raizen, em 2011, foi recebida por alguns com ceticismo sobre nossa capacidade associativa em função do co-controle. A aquisição da Comgás foi alvo de crítica, em função de ser um negócio regulado, com dificuldade de sinergias em um setor até então inexplorado.

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Nos mantivemos firmes e focados no nosso propósito e na convicção de cada uma das teses. De 2012 a 2022, o valor do nosso portfólio cresceu mais de 5 vezes. Sem mencionar, a trajetória da expressiva melhoria nos índices de segurança (índice LTIF – Lost Time Incident Frequency apresentou uma queda de 97% em 11 anos) e a redução de emissões de carbono.

A mais complexa de todas as aquisições foi a fusão ALL-RUMO, que ocorreu pós uma tentativa de aquisição frustrada e um grande litígio entre as empresas. Além de demandar o reequilíbrio financeiro, a criação de uma nova cultura corporativa urgia, com maior segurança no trabalho e redução do nível de acidentes. Desde 2015, o EBITDA da Rumo aumentou quase 3 vezes e a empresa está entre as melhores ferrovias do mundo em níveis de segurança, comparada a CSX e Canadian Pacific Railway.

Nossa capacidade e disciplina de execução foram testadas nesses momentos de mudança e nossa performance vem demostrando uma consistente criação de valor para todos nossos stakeholders.

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Por que agora seria diferente? Vale sempre foi um ativo que despertou interesse da Cosan e a acompanhávamos de longe há muitos anos. Até que em 2018, fizemos uma análise mais aprofundada e mantivemos conversas preliminares com alguns acionistas, o que não seguiu adiante por diversas razões. Naquele momento a Vale, como acionista da Samarco, lidava com as consequências do desastre de Mariana e logo em seguida Brumadinho aconteceu. As duas tragédias trouxeram duras lições à Vale. E a empresa reagiu com mudanças na administração, na cultura corporativa, dando maior ênfase em pessoas e segurança, e na governança, com a entrada no novo mercado na B3 como a maior corporation do Brasil. Tudo na direção de redução de riscos, estabilização das operações e avanços nos compromissos para uma mineração mais sustentável.

A Vale tem o melhor minério de ferro do mundo e reservas de metais básicos promissoras, o que a faz uma empresa-chave para a transição energética global e descarbonização. A Vale não pode ficar isolada em função do que ocorreu. Para ser uma força na transição energética futura, a Vale precisa de disciplina e consistência para gerar resultado com segurança e um impacto social e ambiental positivo.

E é neste momento, em que a Vale está executando a nova estratégia, reparando o passado e caminhando na direção correta, com princípios alinhados ao que acreditamos, que tomamos a decisão de investir na empresa para apoiar a administração nessa jornada, dado o nosso histórico.

Na Cosan, sempre fomos atraídos por grandes oportunidades de transformação em negócios que são posicionados de forma única em seus setores, por mais desafiante que seja. Temos a oportunidade de participar diretamente da implementação de melhores práticas ESG, com potencial impacto social positivo significativo em diversas vidas e geografias. Não podíamos ficar de fora da Vale agora, um ativo irreplicável que se encaixa nos princípios norteadores do nosso portfólio, focado em recursos naturais fundamentais para a descarbonização, bem quando enxergamos o potencial futuro de geração de valor financeiro, social e ambiental.

O apoio de nossos acionistas, principalmente os mais engajados em questões sociais e ambientais, é fundamental para que possamos efetivamente contribuir para com a Vale e sua administração, nesse novo ciclo de geração de valor baseado nas melhores práticas socioambientais.

São Paulo, 20 de outubro de 2022

Cosan S.A.”

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Eduardo Vargas

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