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Construtoras na bolsa têm potencial de alta de até 80%; CYRE3 é a favorita

Cyrela (CYRE3)

Relatório revisa preços-alvo das construtoras e mantém Cyrela (CYRE3) como ação preferida no setor. Foto: Divulgação/Cyrela

As construtoras de média e alta renda enfrentam estoques elevados, juros ainda altos e vendas abaixo do esperado. Mesmo após a redução do preço-alvo de cinco empresas, há ações do setor com potencial de valorização de até 80%, segundo relatório da XP Investimentos.

As informações desta matéria foram retiradas do relatório de cobertura elaborado pelos analistas Ygor Altero e João Rodrigues, CFA. A casa manteve recomendações de compra para Cyrela (CYRE3), Lavvi (LAVV3), Moura Dubeux (MDNE3), Even (EVEN3) e Melnick (MELK3).

A Cyrela permanece como a ação preferida da XP no segmento, seguida por Lavvi e Moura Dubeux.

“Mantemos a Cyrela como nossa preferência no segmento, seguida por Lavvi e Moura Dubeux entre nossos nomes preferidos”, afirmam os analistas.

Por que o cenário ficou mais difícil para as construtoras?

No início de 2026, a XP já demonstrava preocupação com os estoques imobiliários em São Paulo, os juros elevados e as incertezas relacionadas ao período eleitoral.

Segundo o relatório, parte desses riscos se materializou. Os estoques não apresentaram melhora significativa, a velocidade de vendas recuou e a maioria das companhias ficou abaixo das projeções da casa no primeiro semestre.

Com exceção da Moura Dubeux, a XP reduziu em 4% sua estimativa conjunta de lançamentos para 2026. A projeção agregada de vendas líquidas foi cortada em 12%.

A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos também aumentou o custo de capital utilizado nos modelos de avaliação. Isso contribuiu para a redução dos preços-alvo, inclusive entre empresas que continuam com recomendação de compra.

EmpresaRecomendaçãoNovo preço-alvoPreço-alvo anterior
Cyrela (CYRE3)CompraR$ 37R$ 42
EZTec (EZTC3)NeutraR$ 16R$ 19
Lavvi (LAVV3)CompraR$ 19R$ 26
Moura Dubeux (MDNE3)CompraR$ 38R$ 38
Even (EVEN3)CompraR$ 6R$ 10
Trisul (TRIS3)NeutraR$ 6R$ 8
Melnick (MELK3)CompraR$ 5R$ 5

Os potenciais de valorização consideram as cotações utilizadas no relatório, publicado em setembro de 2026.

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O que o relatório aponta sobre cada construtora?

Cyrela (CYRE3)

A Cyrela permanece como a favorita por combinar atuação diversificada, baixa alavancagem, margens saudáveis e exposição aos segmentos de alta e baixa renda.

O preço-alvo caiu de R$ 42 para R$ 37, mas ainda representa um potencial de valorização de 39% sobre a cotação considerada no relatório. A XP projeta retorno sobre o patrimônio, ou ROE, de 19% em 2027.

A companhia também se diferencia pela atuação da Vivaz na baixa renda e pelas parcerias com empresas como Plano&Plano (PLPL3) e Cury (CURY3). Entre os pontos de atenção estão o desempenho das sociedades controladas em conjunto e a velocidade de vendas.

EZTec (EZTC3)

A EZTec teve o preço-alvo reduzido de R$ 19 para R$ 16 e segue com recomendação neutra.

A XP reconhece a melhora das vendas, das margens e da geração de caixa, além das receitas de aluguel relacionadas às torres Esther. A companhia também vem apresentando bom desempenho no segmento de média renda em São Paulo.

A cautela decorre do retorno sobre o patrimônio inferior ao dos pares e do potencial de valorização mais limitado. A casa projeta ROE de 12,6% para 2027.

Lavvi (LAVV3)

A Lavvi continua entre as preferidas, apesar do corte do preço-alvo de R$ 26 para R$ 19. Com base na cotação utilizada pela XP, a ação apresenta potencial de valorização de 80%.

A casa destaca a estratégia de expansão para a baixa renda, a execução historicamente conservadora e o ROE projetado de 27,4% em 2027, um dos maiores do setor.

O primeiro semestre, porém, teve reconhecimento de receitas abaixo do esperado. A XP também reduziu sua projeção de lucro líquido para incorporar o desempenho mais fraco e uma participação maior de parceiros nos projetos.

Moura Dubeux (MDNE3)

A Moura Dubeux foi a principal exceção ao desempenho mais fraco observado no setor. A companhia superou as estimativas da XP para vendas, receitas e margens, beneficiada por uma concorrência mais equilibrada no Nordeste.

A recomendação permanece de compra, com preço-alvo de R$ 38 e potencial estimado de valorização de 57%.

A XP também destaca as parcerias estratégicas da companhia, incluindo a operação com a Direcional (DIRR3), e a perspectiva de expansão para o segmento de baixa renda.

Even (EVEN3)

A Even teve o preço-alvo reduzido de R$ 10 para R$ 6 após um primeiro semestre mais fraco, marcado por menor velocidade de vendas, reconhecimento de receitas abaixo do esperado e pressão sobre as margens.

Mesmo assim, a XP manteve a recomendação de compra devido ao valuation considerado descontado. A ação negocia a aproximadamente 2,7 vezes o lucro projetado para 2027 e apresenta potencial de valorização de 46% no cenário da casa.

O relatório ressalta, porém, que existem opções consideradas mais atrativas dentro do setor, como Cyrela e Lavvi.

Trisul (TRIS3)

A Trisul segue com recomendação neutra e preço-alvo reduzido de R$ 8 para R$ 6.

A estratégia da companhia é ampliar a presença no segmento de média renda, mercado que recebeu uma oferta menor de novos projetos nos últimos anos enquanto as incorporadoras concentravam esforços na baixa e na alta renda.

A XP reconhece o potencial da mudança, mas vê riscos de execução. A casa também espera aumento da alavancagem nos próximos anos, o que pode limitar distribuições maiores de dividendos.

Melnick (MELK3)

A Melnick teve a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 5 mantidos. Na comparação com a cotação utilizada no estudo, o potencial de valorização chega a 72%.

A expansão em Santa Catarina e as parcerias fora de Porto Alegre sustentam a perspectiva de crescimento dos lançamentos.

Em contrapartida, a XP chama atenção para a geração de caixa mais fraca, o aumento das contas a receber e a alavancagem financeira. Esses fatores podem limitar pagamentos mais relevantes de dividendos no curto prazo.

Financiamento da Caixa preocupa a baixa renda?

Em outro relatório, a XP avaliou a desaceleração na aprovação de financiamentos da Caixa Econômica Federal entre junho e julho. Incorporadoras de baixa renda relataram atrasos na contratação dos empréstimos, nos repasses e na conversão das vendas em caixa.

A avaliação da casa é que o problema parece temporário e relacionado à execução ou à maior seletividade na aprovação dos clientes, não a uma restrição estrutural do crédito habitacional.

Segundo a XP, a deterioração dos indicadores de crédito da Caixa está concentrada principalmente no agronegócio, enquanto a qualidade da carteira habitacional permanece relativamente controlada.

O principal risco para as empresas está nos repasses. Se o atraso for temporário, o efeito tende a deslocar a geração de caixa de um trimestre para outro. Caso o problema persista, pode elevar a necessidade de financiar clientes, aumentar os recebíveis e tornar as companhias mais seletivas nos lançamentos.

Diante desse cenário, a XP continua construtiva com as incorporadoras de baixa renda, mas monitora os repasses, os estoques, a exposição após a entrega das chaves e a conversão das vendas em caixa. Entre as construtoras de média e alta renda, a preferência permanece concentrada em Cyrela, Lavvi e Moura Dubeux.

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