Bunge e Acelen avançam em biocombustíveis; o que isso significa para SNFZ11?

A Bunge firmou, no Brasil, o maior acordo de fornecimento de commodities de sua história ao acertar a entrega de 1,5 milhão de toneladas de óleo de soja para a Acelen Renováveis ao longo de cinco anos. O insumo será direcionado à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO), em linha com a expansão dos biocombustíveis no país.

Pelo contrato, o fornecimento será de 300 mil toneladas por ano, a partir de 2029, destinado à biorrefinaria que a Acelen construirá na Bahia. O projeto receberá mais de US$ 3 bilhões em investimentos e terá capacidade para produzir 1 bilhão de litros anuais de combustíveis renováveis.

A operação cria uma frente adicional de demanda para a soja e reflete a integração crescente entre o agronegócio e a transição energética, com maior uso de matérias-primas agrícolas em combustíveis de baixo carbono. A expectativa é que o óleo de soja seja originado no Brasil e na Argentina, com certificações internacionais de sustentabilidade para atender às exigências dos mercados norte-americanos.

Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), o SAF poderá responder por cerca de 65% da redução das emissões necessárias para que o setor aéreo alcance a neutralidade de carbono até 2050.

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Bunge avança em combustíveis de baixo carbono

O acordo entre as empresas reforça a tendência de projetos voltados a SAF e HVO no país, favorecendo cadeias agrícolas consolidadas. A estratégia de suprimento considerando Brasil e Argentina, com rastreabilidade e padrões internacionais, busca acessar canais de comercialização mais amplos e regulados.

A vinculação entre oferta de óleo de soja e expansão da capacidade de biorrefino também eleva a previsibilidade de demanda para produtores e processadores. Ao mesmo tempo, a pauta de combustíveis de baixo carbono pressiona a adoção de métricas de sustentabilidade ao longo de toda a cadeia, do campo ao produto final.

Cadeia agrícola ganha novas fontes de demanda

O avanço dos biocombustíveis ocorre em um momento de diversificação das cadeias do agronegócio brasileiro. Além do uso crescente do óleo de soja para SAF e diesel renovável, o país acelera investimentos em etanol de milho, impulsionados pela segunda safra.

Esse movimento amplia a geração de valor para diferentes culturas e sustenta a demanda por grãos nacionais, reduzindo a dependência do consumo voltado apenas à alimentação humana e animal. Para investidores do SNFZ11, Fiagro com foco em aquisição e valorização de terras agrícolas, a expansão da procura por commodities tende a estimular investimentos, crescimento da produção e valorização de polos consolidados. Nos últimos anos, a combinação de etanol de milho, indústria de biocombustíveis e produção recorde de soja reforçou a relevância estratégica das terras agrícolas no Brasil.

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SNFZ11 está exposto ao principal polo produtor de milho safrinha

A ampliação da indústria de etanol ocorre em meio ao avanço da colheita da segunda safra de milho no Centro-Sul. A colheita do milho safrinha 2026 atingiu 36,7% da área cultivada até o dia 10 de julho, segundo a Datagro. Mato Grosso lidera a colheita e mantém posição estratégica no segmento, apesar de desafios pontuais de umidade elevada e frio em algumas regiões. A consultoria projeta produção brasileira de 108,2 milhões de toneladas de milho safrinha nesta temporada.

O cenário também é relevante para o fundo, que detém propriedades rurais em Gaúcha do Norte (MT), um dos principais polos de soja e milho de segunda safra. O modelo de sucessão entre soja no verão e milho no inverno eleva o uso da terra, melhora a produtividade e dilui custos ao longo do ano agrícola, com impacto direto na geração de receitas operacionais.

Além disso, Mato Grosso segue com produtividade elevada. As projeções indicam rendimento médio de 120,28 sacas por hectare e produção estadual próxima de 53,35 milhões de toneladas, consolidando o estado como referência na cultura.

Milho amplia papel na transição energética

A evolução do etanol de milho vem aumentando o peso do cereal na matriz energética brasileira. Diferentemente de outras rotas, a expansão ocorre majoritariamente sobre áreas já consolidadas, alavancando a estrutura da segunda safra.

A integração entre agricultura, biocombustíveis e nutrição animal fortalece a competitividade do agronegócio e diversifica receitas na cadeia. O DDGS, coproduto do etanol, encontra demanda consistente da pecuária, reforçando o encadeamento produtivo.

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Nesse contexto, ativos ligados à produção agrícola passam a se expor não apenas ao mercado de grãos, mas também a tendências de longo prazo associadas à bioenergia, ganhos de eficiência e valorização de áreas produtivas. A dinâmica da safrinha, somada ao crescimento do etanol de milho, sustenta um ciclo de uso intensivo da terra, com avanços de produtividade e maior resiliência da oferta.

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Redação Suno Notícias

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