O BTG Pactual (BPAC11) atravessou o segundo trimestre de 2026 com um paradoxo típico de bancos de investimento: enquanto o mercado de capitais perdeu ritmo, o banco encontrou crescimento em outras frentes e voltou a renovar máximas. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 5,14 bilhões, alta de 22,6% em um ano e novo recorde trimestral, enquanto as receitas totais alcançaram R$ 10,37 bilhões.
O resultado também fechou o melhor primeiro semestre da história da instituição. Entre janeiro e junho, o lucro líquido ajustado somou quase R$ 10 bilhões, avanço de 31,4% sobre o mesmo período de 2025. A estratégia de diversificação ajudou a compensar a fraqueza do investment banking, com crédito, gestão de patrimônio e negócios voltados ao consumidor ganhando peso.
Crédito ganha espaço no resultado do BTG
A carteira de crédito total alcançou R$ 366,6 bilhões ao fim de junho, crescimento de 24% na comparação anual. Dentro desse montante, o portfólio de Corporate Lending chegou a R$ 288,5 bilhões, alta de 21,3% em um ano. A área registrou receita recorde de R$ 2,5 bilhões, crescimento anual de 18,7%.
O avanço também apareceu no financiamento ao consumidor, cuja carteira chegou a R$ 78,2 bilhões, 35,2% acima do 2T25. Essa expansão ajuda a mostrar como o BTG vem diminuindo a dependência das atividades mais diretamente ligadas aos mercados de capitais.
No sentido oposto, a receita de Investment Banking caiu 46,1%, para R$ 421,4 milhões, em meio à menor atividade nas emissões de dívida e a uma base de comparação especialmente forte no segundo trimestre de 2025.
ROE continua elevado e eficiência melhora
Mesmo com a expansão do banco, a rentabilidade permaneceu em um dos níveis mais altos entre as grandes instituições financeiras brasileiras. O ROAE ajustado, indicador que mede o retorno sobre o patrimônio líquido médio, ficou em 26,7%, praticamente estável frente aos 26,6% do trimestre anterior.
Ao mesmo tempo, o índice de eficiência melhorou para 37,1%, ante 38,1% no 1T26. Quanto menor esse indicador, menor é a parcela da receita consumida pelas despesas operacionais.
As despesas somaram R$ 4,28 bilhões, crescimento de 13,1% em um ano, influenciadas principalmente pela consolidação da MeuTudo. O aumento, porém, ficou abaixo do ritmo de expansão das receitas, o que ajudou a preservar a rentabilidade.
O que os analistas acharam do 2T26?
A XP classificou o trimestre como positivo e acima das expectativas. As receitas ficaram 4,6% acima da projeção da casa, enquanto o lucro líquido recorrente superou sua estimativa em quase 8%. Para os analistas, o resultado mostrou que a diversificação do banco conseguiu compensar a forte retração do Investment Banking.
A surpresa também veio na comparação com o consenso de mercado. O lucro ajustado de R$ 5,14 bilhões ficou acima da expectativa média de R$ 4,86 bilhões compilada pela Bloomberg.
Antes do balanço, o Safra já esperava que o BTG fosse o nome mais resiliente entre as companhias ligadas ao mercado de capitais, justamente pela expansão das receitas de crédito e gestão de patrimônio. O banco projetava lucro de R$ 4,96 bilhões e ROE próximo de 26%, números que acabaram sendo superados.
A leitura do segundo trimestre, portanto, passa menos por uma única divisão e mais pela capacidade de o BTG Pactual (BPAC11) crescer em diferentes negócios ao mesmo tempo. Mesmo com o investment banking em retração, a expansão do crédito, a maior presença junto a pessoas físicas e as receitas recorrentes de gestão mantiveram o lucro e a rentabilidade em patamares recordes.
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