Braskem (BRKM5) derrete na Bolsa com medo de caixa e pressão de credores
As ações da Braskem (BRKM5) voltaram a cair forte nesta quinta-feira (18), em meio a receios sobre a liquidez de curto prazo da petroquímica e às incertezas em torno de uma possível reestruturação extrajudicial. Por volta de 16h02, os papéis recuavam 8,24%, a R$ 7,68, segundo dados de mercado.
Na mínima do dia, as ações chegaram a R$ 7,40, renovando o menor nível intradia desde dezembro de 2025. A pressão ocorre após notícias de que a Braskem e seu novo acionista controlador, a IG4 Capital, enfrentam dificuldades para obter apoio suficiente de credores para avançar com uma proposta de reestruturação extrajudicial.
Credores resistem a plano da Braskem
Segundo informações da Bloomberg citadas pelo mercado, os credores estariam resistindo ao plano apresentado pela companhia por causa de divergências sobre tratamento desigual entre diferentes classes de dívida, garantias oferecidas e ausência de uma opção de conversão de dívida em ações.
A Reuters também informou que analistas do UBS BB chamaram atenção para a situação desafiadora de liquidez de curto prazo da petroquímica. Para eles, esse cenário deve continuar gerando volatilidade nos papéis, mesmo em um ambiente de spreads mais favorável.
“De modo geral, entendemos que o caminho da empresa para uma solução de liquidez permanece incerto e pode incluir risco de diluição para acionistas minoritários”, afirmaram os analistas do UBS BB, segundo a Reuters.
Caso Maceió aumenta pressão
Além da discussão com credores, o mercado também segue atento ao passivo socioambiental de Maceió. Nesta semana, a Justiça Federal em Alagoas tornou a Braskem e ex-dirigentes réus em processo que apura responsabilidades pelo desastre ligado à exploração de sal-gema na capital alagoana.
A notícia aumentou as preocupações sobre riscos legais e reputacionais da companhia. A Braskem já provisionou cerca de R$ 20 bilhões para lidar com o problema socioambiental.
As ações da Braskem chegaram a R$ 13,78 na máxima intradia do ano, no começo de março. Nesta quinta-feira, a combinação de dúvidas sobre liquidez, resistência de credores e risco judicial voltou a pesar sobre a percepção dos investidores.