Banco do Brasil (BBAS3) lucra acima do esperado no 2T26, mas ações caem; entenda a repercussão

O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou na noite de quarta-feira (12) os resultados do segundo trimestre de 2026. O lucro líquido ajustado somou R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado e acima da expectativa dos analistas, que projetavam, segundo compilação da LSEG, um lucro de R$ 3,6 bilhões.

Mesmo com o resultado acima do esperado, as ações BBAS3 não reagiram bem ao balanço. Por volta das 15h desta quinta-feira (13), os papéis da instituição caíam 3,84%, cotados a R$ 18,27.

Os números do balanço do Banco do Brasil no 2T26

O guidance do Banco do Brasil previa lucro semestral entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões. No primeiro semestre de 2026, o Banco do Brasil lucrou R$ 7,3 bilhões. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o lucro cresceu 13,9%.

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O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 8,3%, subindo em relação aos 7,3% do primeiro trimestre, mas praticamente estável frente aos 8,4% registrados um ano antes.

A margem financeira bruta somou R$ 27,5 bilhões no trimestre. O custo de crédito ficou em cerca de R$ 18,5 bilhões, alta de 16,1% na comparação anual, mas queda de 2,1% em relação aos três meses anteriores.

A carteira de crédito expandida terminou junho em R$ 1,31 trilhão, avanço de 1,5% em 12 meses e de 0,6% no trimestre. Já o índice de inadimplência acima de 90 dias chegou a 5,61%, patamar bem superior aos 3,96% de um ano antes e também maior que os 5,05% do trimestre anterior.

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Na comparação com o guidance, o crescimento da carteira de crédito ficou na parte mais baixa do intervalo estimado, que ia de 0,5% a 4,5% no primeiro semestre. Entre as linhas de crédito, a carteira de empresas teve o desempenho mais fraco, com queda de 6,4%, abaixo da expectativa que ia de -3% a 1%.

A carteira agro, que vinha sendo o principal ponto de pressão nos últimos balanços, cresceu 4,1%, superando a projeção que ia de uma retração de 2% a uma alta de 2%. Já a carteira de pessoa física avançou 4,4%, abaixo do intervalo esperado de 6% a 10%.

Balanço do BBAS3 tem leitura mista, com atenção ao cartão de crédito

A Suno Research também avaliou o balanço do Banco do Brasil. Segundo o analista CNPI Malek Zein, o resultado do 2T26 é misto: de um lado, a receita avança com a expansão dos spreads e despesas sob controle; de outro, a inadimplência da pessoa física piorou no trimestre, com destaque para a linha de cartão de crédito.

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Para a casa, a dinâmica de deterioração observada na pessoa física, sobretudo no cartão de crédito, precisa ser acompanhada nos próximos trimestres.

Na avaliação de Zein, o trimestre reúne dinâmicas opostas. A carteira agro, principal fonte de pressão nos balanços recentes do banco, mostrou sinais de melhora, com redução na formação de inadimplência. Já a carteira de pessoa física foi o principal ponto negativo do resultado.

Segundo o analista, se não fosse a piora nessa carteira, o resultado do Banco do Brasil (BBAS3) teria sido positivo, já que a receita cresceu via spreads, o custo de crédito consolidado recuou e as despesas avançaram abaixo da inflação. Ainda assim, ele pondera que será necessário monitorar se o movimento observado no cartão de crédito é pontual ou o início de uma deterioração mais ampla na pessoa física.

Redação Suno Notícias

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