Bancos ou elétricas: qual setor paga mais dividendos hoje?
A fama das elétricas como boas pagadoras segue de pé, mas os bancos não ficaram muito atrás. Considerando uma amostra com quatro empresas de cada setor, as companhias de energia apresentavam uma média de dividendos de 7,01% sobre o preço das ações, ante 6,94% das instituições financeiras.
O cálculo considera o dividend yield dos 12 meses encerrados em 27 de agosto de 2026, informado pelo Status Invest. O indicador relaciona o valor bruto dos proventos com data-base dentro do período ao preço atual das ações.
Foram analisados Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander Brasil (SANB11), entre os bancos. No setor elétrico, entraram Taesa (TAEE11), Cemig (CMIG4), Engie Brasil (EGIE3) e CPFL Energia (CPFE3).
A diferença de apenas 0,07 ponto percentual mostra um empate técnico entre os dois grupos. Além disso, o resultado depende diretamente das empresas escolhidas e pode mudar diariamente, conforme as cotações e os novos proventos entram ou saem da janela de 12 meses.
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Quais bancos pagam mais dividendos?
Entre os bancos selecionados, o Bradesco liderava a comparação, com dividend yield de 9,09% e R$ 1,5485 por ação em proventos considerados nos últimos 12 meses. O histórico recente inclui pagamentos mensais e juros sobre capital próprio adicionais.
Logo depois aparecia o Itaú, com retorno de 8,11% e R$ 3,1707 por ITUB4. O banco mantém uma prática recorrente de remuneração, com pagamentos mensais e complementares de dividendos ou juros sobre capital próprio desde julho de 1980.
O Santander Brasil registrava dividend yield de 7,80%, equivalente a R$ 2,3072 por unit nos últimos 12 meses. A instituição declara como objetivo distribuir 50% do lucro líquido anual ajustado, acima do mínimo legal de 25%, embora a destinação dependa da aprovação societária.
O Banco do Brasil ficou distante dos concorrentes, com dividend yield de 2,76% e R$ 0,5507 por ação no período. Esse desempenho puxou para baixo a média dos bancos na comparação.
Assim, a média das quatro instituições financeiras ficou em 6,94%. Sem o Banco do Brasil, o retorno médio dos outros três bancos subiria para aproximadamente 8,33%.
Elétricas vencem disputa por pouco
A CPFL Energia liderou o grupo das elétricas, com dividend yield de 8,47% e R$ 3,7359 por ação em proventos nos últimos 12 meses. A companhia aprovou em abril pagamentos que, somados, alcançaram aproximadamente R$ 3,74 por CPFE3. A primeira parcela, de R$ 1,3 bilhão, foi paga em maio.
Na sequência apareceu a Cemig, com dividend yield de 7,93% e R$ 0,8236 por CMIG4. O estatuto da companhia estabelece a destinação de 50% do lucro líquido do exercício para o pagamento do dividendo obrigatório, observadas as demais regras societárias.
A Taesa entregava retorno de 7,74%, correspondente a R$ 3,0065 por unit nos últimos 12 meses. Desde o exercício de 2025, a transmissora manifesta a intenção de propor a distribuição de 90% a 100% do lucro líquido regulatório, condicionada à geração de caixa, à situação financeira, aos investimentos e às aprovações necessárias.
A Engie Brasil completou o grupo, com dividend yield de 3,89% e R$ 1,12 por EGIE3 no intervalo considerado. O retorno ficou abaixo dos demais nomes do setor e impediu uma vantagem maior das elétricas.
Afinal, bancos ou elétricas?
Na fotografia de 27 de agosto de 2026, as elétricas venceram por uma margem estreita: 7,01% de dividend yield médio, contra 6,94% dos bancos. Individualmente, porém, a liderança ficou com o Bradesco, que superou todas as companhias analisadas, seguido pela CPFL Energia e pelo Itaú.
A comparação também mostra que avaliar apenas a fama de um setor pode levar a conclusões incompletas. Banco do Brasil e Engie apresentaram retornos bem inferiores aos de seus pares, enquanto Bradesco e CPFL elevaram as médias dos respectivos grupos.
O dividend yield passado não representa uma promessa de rentabilidade futura. O indicador pode aumentar tanto pela elevação dos proventos quanto pela queda do preço da ação. Pagamentos extraordinários também podem inflar temporariamente o resultado.
Por isso, além dos dividendos, o investidor deve acompanhar a sustentabilidade do lucro, a política de distribuição, o endividamento, as necessidades de investimento e a capacidade de cada companhia manter os pagamentos ao longo dos próximos anos.